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sábado, 26 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Como manter todos na escola?
Como manter todos na escola?
Rodrigo Ratier
Imagine por um instante o momento mais agudo da aula mais difícil. Meia dúzia de alunos dorme nas ultimas fileiras. Um trio troca mensagens de celular. Dois meninos se estapeiam. Uma turma discute sobre futebol, nas primeiras carteiras, só um pequeno e compassivo grupo se esforça para prestar atenção naquilo que você aos berros, tenta dizer. Nessas horas, um pensamento emerge gostaria de ensinar apenas para os que querem aprender. Quem não esta afim que saia... Será melhor assim! Não será. O desafio de ser professor exige educar todos, sem exceção. O Brasil, por enquanto, esta perdendo esta batalha. É verdade que os índices de acesso á Educação avançaram nas últimas três décadas, mas os indicadores de permanência a taxa de abandono, que mostra os que não concluíram o ano letivo, e a de evasão, que aponta os que não se matricularam no ano seguinte – não caminharam no mesmo ritmo. Hoje cada de 100 estudantes que ingressam no ensino fundamental, apenas 36 concluem o ensino médio.
Responsabilizar o aluno pelo abandono é a saída mais fácil. Na verdade, ele é o menos culpado. Pesquisas indicam que existem dois conjuntos de fatores que interferem no abandono escolar. O primeiro deles é o chamado risco social. Fatores como a condição socioeconômica e o lugar de residência podem aumentar a pressão para a desistência: com a necessidade de complementar a renda familiar, muitos jovens são atraídos pelo trabalho precoce e largam os livros.
POR QUE O ALUNO SE SENTE DESMOTIVAD?
Segundo dados da Pesquisa Nacional os adolescentes que têm ocupação continuam indo às aulas. Entretanto, os estudos mostram que a própria escola colabora para agravar a evasão. Os altos índices de repetência exercem um papel fortíssimo - longe de sua faixa etária original, o aluno se sente desmotivado a seguir aprendendo.
ESCOLA NÃO SERVE PARA NADA?
A miopia para enxergar o problema atrapalha. Em geral, a interrupção dos estudos é o passo final de um processo que deixa sinais. O primeiro costuma ser o desinteresse em sala. Indisciplina e atos de violência também são comuns. Logo começam as faltas, cada vez mais freqüentes. Por fim, a ausência definitiva. Também são recorrentes, sobretudo entre os jovens, as queixas de que a escola "não serve para nada".
POR QUE IR Á ESCOLA?
Estudioso da relação entre os jovens e o saber, o pesquisador francês Bernard Charlot descobriu que a maioria só vê sentido em ir à escola para conseguir um diploma, poder ganhar dinheiro num emprego ou ter uma vida tranqüila no futuro. Como predomina a idéia de um aprendizado sem sentido, muitos se desestimulam e desistem. O desinteresse é a causa principal da saída definitiva para adolescentes entre 15 e 17 anos.
COMO REVERTER A EVASÃO?
Fica claro que a escola precisa olhar para si própria. Do ponto de vista da gestão, uma providência essencial é atacar as causas da evasão. O acompanhamento eficiente da freqüência - que também deve estar na pauta das reuniões pedagógicas - ajuda a mapear o problema e identificar os motivos das faltas. Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma de reverter o quadro: conversas com pais e alunos, visitas às famílias, aulas de reforço e campanhas internas e na comunidade.
SUSPENSÕES E EXPULSÕES SAO EFICAZES?
O tom deve ser de parceria e acolhimento, nunca de punição. Suspensões e expulsões podem ser rediscutidas. A idéia é simples: se a indisciplina é um dos caminhos que levam à evasão, não faz sentido punir o aluno impedindo que ele vá à escola. Em vez disso, é possível pensar em medidas que modifiquem a rotina do estudante, mas que o mantenham na instituição - estudar sozinho, com a obrigação de acompanhar o conteúdo, é uma alternativa.
POR QUE REPENSAR O CURRICULO?
Uma revisão curricular, sobretudo nas séries em que a evasão é maior, parece inevitável. O projeto pedagógico precisa garantir que a escola não seja vista como uma obrigação, mas como um espaço de formação para a vida. Isso inclui, de um lado, diálogo com o universo dos jovens (refletindo, por exemplo, sobre o papel das novas tecnologias). De outro, um esforço para mostrar como conteúdos importantes, mas sem tanta aplicação direta (como boa parte dos tópicos da Matemática), são fundamentais para fazer avançar a capacidade intelectual. A mesma preocupação tem de estar presente em iniciativas de Educação em tempo integral ou no contra turno, que para serem efetivas devem estar articuladas com o projeto pedagógico da escola.
COMO GARANTIR QUE OS ALUNOS ESTAO APRENDENDO?
É necessário também arrumar o "lado de fora" dos muros, atacando o risco social. Em termos de políticas públicas, atrelar benefícios sociais como a Bolsa Família à freqüência escolar funcionou. Reduzindo na população atendida de 4,4 para 2,8% o total de crianças e jovens entre 7 e 14 anos fora da escola. Ampliar a ação pode dar bons resultados. Mas é preciso também garantir que esses alunos aprendam. Nesse sentido, uma boa sugestão é adicionar critérios que possam indicar se o estudante de fato avançou, aproveitando o direito a uma Educação de qualidade - e para todos.
Postado por Karmem
http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/index.shtml
Rodrigo Ratier
Imagine por um instante o momento mais agudo da aula mais difícil. Meia dúzia de alunos dorme nas ultimas fileiras. Um trio troca mensagens de celular. Dois meninos se estapeiam. Uma turma discute sobre futebol, nas primeiras carteiras, só um pequeno e compassivo grupo se esforça para prestar atenção naquilo que você aos berros, tenta dizer. Nessas horas, um pensamento emerge gostaria de ensinar apenas para os que querem aprender. Quem não esta afim que saia... Será melhor assim! Não será. O desafio de ser professor exige educar todos, sem exceção. O Brasil, por enquanto, esta perdendo esta batalha. É verdade que os índices de acesso á Educação avançaram nas últimas três décadas, mas os indicadores de permanência a taxa de abandono, que mostra os que não concluíram o ano letivo, e a de evasão, que aponta os que não se matricularam no ano seguinte – não caminharam no mesmo ritmo. Hoje cada de 100 estudantes que ingressam no ensino fundamental, apenas 36 concluem o ensino médio.
Responsabilizar o aluno pelo abandono é a saída mais fácil. Na verdade, ele é o menos culpado. Pesquisas indicam que existem dois conjuntos de fatores que interferem no abandono escolar. O primeiro deles é o chamado risco social. Fatores como a condição socioeconômica e o lugar de residência podem aumentar a pressão para a desistência: com a necessidade de complementar a renda familiar, muitos jovens são atraídos pelo trabalho precoce e largam os livros.
POR QUE O ALUNO SE SENTE DESMOTIVAD?
Segundo dados da Pesquisa Nacional os adolescentes que têm ocupação continuam indo às aulas. Entretanto, os estudos mostram que a própria escola colabora para agravar a evasão. Os altos índices de repetência exercem um papel fortíssimo - longe de sua faixa etária original, o aluno se sente desmotivado a seguir aprendendo.
ESCOLA NÃO SERVE PARA NADA?
A miopia para enxergar o problema atrapalha. Em geral, a interrupção dos estudos é o passo final de um processo que deixa sinais. O primeiro costuma ser o desinteresse em sala. Indisciplina e atos de violência também são comuns. Logo começam as faltas, cada vez mais freqüentes. Por fim, a ausência definitiva. Também são recorrentes, sobretudo entre os jovens, as queixas de que a escola "não serve para nada".
POR QUE IR Á ESCOLA?
Estudioso da relação entre os jovens e o saber, o pesquisador francês Bernard Charlot descobriu que a maioria só vê sentido em ir à escola para conseguir um diploma, poder ganhar dinheiro num emprego ou ter uma vida tranqüila no futuro. Como predomina a idéia de um aprendizado sem sentido, muitos se desestimulam e desistem. O desinteresse é a causa principal da saída definitiva para adolescentes entre 15 e 17 anos.
COMO REVERTER A EVASÃO?
Fica claro que a escola precisa olhar para si própria. Do ponto de vista da gestão, uma providência essencial é atacar as causas da evasão. O acompanhamento eficiente da freqüência - que também deve estar na pauta das reuniões pedagógicas - ajuda a mapear o problema e identificar os motivos das faltas. Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma de reverter o quadro: conversas com pais e alunos, visitas às famílias, aulas de reforço e campanhas internas e na comunidade.
SUSPENSÕES E EXPULSÕES SAO EFICAZES?
O tom deve ser de parceria e acolhimento, nunca de punição. Suspensões e expulsões podem ser rediscutidas. A idéia é simples: se a indisciplina é um dos caminhos que levam à evasão, não faz sentido punir o aluno impedindo que ele vá à escola. Em vez disso, é possível pensar em medidas que modifiquem a rotina do estudante, mas que o mantenham na instituição - estudar sozinho, com a obrigação de acompanhar o conteúdo, é uma alternativa.
POR QUE REPENSAR O CURRICULO?
Uma revisão curricular, sobretudo nas séries em que a evasão é maior, parece inevitável. O projeto pedagógico precisa garantir que a escola não seja vista como uma obrigação, mas como um espaço de formação para a vida. Isso inclui, de um lado, diálogo com o universo dos jovens (refletindo, por exemplo, sobre o papel das novas tecnologias). De outro, um esforço para mostrar como conteúdos importantes, mas sem tanta aplicação direta (como boa parte dos tópicos da Matemática), são fundamentais para fazer avançar a capacidade intelectual. A mesma preocupação tem de estar presente em iniciativas de Educação em tempo integral ou no contra turno, que para serem efetivas devem estar articuladas com o projeto pedagógico da escola.
COMO GARANTIR QUE OS ALUNOS ESTAO APRENDENDO?
É necessário também arrumar o "lado de fora" dos muros, atacando o risco social. Em termos de políticas públicas, atrelar benefícios sociais como a Bolsa Família à freqüência escolar funcionou. Reduzindo na população atendida de 4,4 para 2,8% o total de crianças e jovens entre 7 e 14 anos fora da escola. Ampliar a ação pode dar bons resultados. Mas é preciso também garantir que esses alunos aprendam. Nesse sentido, uma boa sugestão é adicionar critérios que possam indicar se o estudante de fato avançou, aproveitando o direito a uma Educação de qualidade - e para todos.
Postado por Karmem
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
FAMÍLIA E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Inúmeros autores têm realizado pesquisas e discutido sobre as dificuldades de aprendizagem em crianças na fase escolar, e refletido especificamente sobre a relação entre pais e filhos. É oportuno um trabalho que discuta sobre o papel e a importância da família frente às dificuldades de aprendizagem, e também como a Psicopedagogia pode contribuir nesta relação, estando atenta a uma nova prática, na qual ensinar e aprender sejam atos que caminhem na mesma direção. Temos o objetivo de investigar, através de um levantamento bibliográfico, os estudos realizados sobre a relação família – criança - dificuldades de aprendizagem e as contribuições da Psicopedagogia nesta problemática. Como objetivos específicos: identificar quais fatores relativos ao ambiente familiar refletem na vida escolar; analisar atitudes e formas mais adequadas de lidar com crianças que apresentam problemas na aprendizagem; discutir até que ponto os problemas emocionais advindos do núcleo familiar interferem na aprendizagem dos alunos e levantar questões que possam esclarecer pais e educadores sobre as formas de atuação frente às dificuldades de aprendizagem que as crianças apresentam. Foram adotadas, como referencial teórico, as perspectivas de autores de áreas afins, tratando o processo de aprendizagem, a relação pais e filhos, os reflexos das transformações da sociedade no núcleo familiar e também como a Psicopedagogia pode contribuir para esta dinâmica. Ao final, observamos que fatores familiares podem contribuir para transtornos de aquisição de competências, fazendo-se necessário compreender as mudanças na sociedade e a importância do engajamento das instuições escola e família, numa ação conjunta frente às dificuldades de aprendizagem.
Palavras Chaves: Dificuldade de aprendizagem, Família, Psicopedagogia.
INTRODUÇÃO
Atualmente vivemos um momento no qual o sentido de imediatismo e descartabilidade nomeia o dia a dia. Segundo Bauman (2001), a solidez das instituições sociais (do estado de bem estar, da família, das relações de trabalho, entre outras) perde espaço, de maneira cada vez mais acelerada, para o fenômeno de liquefação: um estado de inconstância. De acordo com essa metáfora, o estado concreto dos sólidos, firmes e inabaláveis, derrete-se irreversivelmente, tomando a forma do estado líquido. Como conseqüência, vivemos um tempo de transformações sociais aceleradas, nas quais as dissoluções dos laços afetivos e sociais são o centro da questão. A liquefação dos sólidos explicita um tempo de desapego com aspecto de provisoriedade, uma suposta sensação de liberdade que traz em seu avesso a evidência do desamparo social em que se encontram os indivíduos modernos e “líquidos”. Neste contexto, a cultura do “Eu” supera o “Nós”, e o relacionamento “eu com o outro” ganha traços mercantilistas e capitalistas, em que os frágeis laços têm a possibilidade de serem desfeitos frente a qualquer desagrado de ambas as partes.
Os serviços de cunho social são privatizados, o que antes na modernidade sólida eram direitos do cidadão, como as próprias parcerias humanas. Relacionamentos voláteis e fluidos dão uma sensação de leveza e descompromisso, que são, muitas vezes, associados à liberdade individual (BAUMAN, 2001).
O filósofo francês Gilles Lipovetsky (2004) chama este tempo de hipermoderno, o qual não há lugar para limitações: todos podem tudo; e a mídia incentiva isto. Neste contexto, a família autoritária deu lugar a uma família afetiva, baseada na livre-escolha e na proteção. O filho, hoje, comunica suas preferências, exprime seus desejos e pergunta tudo o que lhe vem à mente. As perguntas muito precoces levam à imitação de certas atitudes que se assiste em todos os meios de comunicação e tendem a preocupar e a assustar os pais.
Sabemos que vivemos em uma época tão rica em informações e tão pobre em ética que infelizmente não há como poupar as crianças de informações de má qualidade, por mais que se tente bloqueá-las. Seria este um reflexo da (des) assistência dos pais em relação à educação dos filhos?
METODOLOGIA DE PESQUISA
É bastante oportuno um trabalho que reflita sobre o papel e a importância da família frente às dificuldades de aprendizagem, e também como a Psicopedagogia pode contribuir nesta relação estando atenta a uma nova prática, na qual ensinar e aprender sejam atos que caminhem para a mesma direção.
A relevância desta temática é ratificada pela grande discussão sobre o papel da família frente à vida escolar de seu filho, bem como as situações que ocorrem no lar e sua repercussão no processo de aprendizagem do aluno. É crescente o número de autores que tentam explicar cada vez mais como os pais e educadores podem melhorar sua relação com seu filho.
Tal proposta de estudo tem por base uma produção teórica- livros e artigos científicos- que apresentam relação com o tema. A abrangência e a visão crítica dos autores em relação ao assunto de interesse foram critérios importantes na seleção do material utilizado. Assim, o referencial teórico aqui explorado ofereceu subsídios para o tratamento do tema em questão, favorecendo o surgimento de discussões e trazendo conhecimentos acerca da temática proposta.
Desse modo, como entendem Barros e Lehfeld (1986, p. 70), a revisão bibliográfica “se efetua tentando-se resolver um problema ou adquirir conhecimento a partir do emprego predominante de informações advindas de material gráfico, sonoro e informatizadas”.
É uma grande oportunidade para o pesquisador ampliar seus conhecimentos teóricos através deste tipo de pesquisa, pois a concretização de um trabalho deste tipo somente é possível mediante o levantamento de temas afins e formas de abordagens já trabalhadas por outros estudiosos. Dessa forma, é possível construir conceitos e explorar idéias já publicadas. Além disso, a experiência prévia de uma prática, em um contexto escolar, vivenciada pelas pesquisadoras, foi um fator de suma importância para a constituição deste trabalho.
O presente trabalho teve o cuidado de abordar e compreender melhor como os problemas escolares podem estar ligados de certa forma à dinâmica familiar.
Diante da temática proposta, através dos argumentos de autores relacionados com o tema, procuramos primeiramente fazer um apanhado histórico do surgimento da família; os primeiros modelos familiares, direcionando o discurso para as transformações na sociedade e seus reflexos para novos modelos familiares; a crise familiar e as conseqüências para os problemas de aprendizagem da criança.
FAMÍLIA: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA
Engels (1981) foi um dos precursores nos estudos da história da família. Ele cita o autor Bachofen, que se deteve a este resgate histórico, desde a origem mais primitiva. Engels também se refere ao antropólogo norte-americano Lewis Henry Morgan, que tenta estabelecer conexões para refletir a respeito da evolução das sociedades humanas. Foram as descobertas de Morgan que serviram como base e ponto de partida para as conclusões de Engels. Assim, constata-se que as relações sexuais primitivas eram regidas pela promiscuidade e que laços sanguíneos não tinham a menor importância, uma vez que os graus de parentesco como conhecemos, possuíam pouco valor, diferente daquele que é atribuído atualmente. Entretanto, apesar do termo pejorativo que a sociedade moderna atribuiu, Engels ressalta que a promiscuidade era dada apenas por relações sexuais carnais, desenvolvidas numa determinada época em que não havia proibições e restrições impostas pelos costumes sociais.
Assim, Engels (1981) ressalta que, provavelmente, surgiram a partir daí, os seguintes modelos de família: consangüínea (caracterizada pelo casamento entre irmãos e irmãs); punaluana (matrimônio por grupos, um círculo fechado de parentes consanguíneos por linha feminina); sindiásmica (forma primitiva da monogamia, caracterizada pelo matrimônio por pares, embora a poligamia e infidelidade sejam encaradas como direito dos homens) e a monogâmica, que: baseia-se no predomínio do homem; sua finalidade expressa é a de procriar filhos cuja paternidade seja indiscutível [...], pois esses, na qualidade de herdeiros diretos, entrarão, um dia, na posse dos bens de seu pai. (ENGELS, 1981, p.66).
A partir deste novo modelo familiar (a monogamia) podemos destacar quatro pontos, defendidos por Engels (1981): primeiro, destaca-se uma solidez muito maior dos laços conjugais, nos quais só o homem tem o direito de romper; segundo, a monogamia foi a primeira forma de família que não surgiu por condições naturais, e sim econômicas, evidenciando a questão da propriedade privada sobre a comum; terceiro, é visível que este ovo modelo não é fruto de laços amorosos e sexuais, e sim, de necessidades econômicas; e quarto, é relevante ressaltar que tal liberdade sexual pregressa não deixou de existir com a monogamia. Esses fatos possibilitam uma série de evoluções na família monogâmica. A mulher reconquista vários direitos e uma nova posição diante da sociedade, bem como sua inserção e importância no mercado de trabalho.
Ariès (2006) demonstra, através do seu estudo histórico e iconográfico, como foi dada a mudança gradativa na forma de retratar as famílias ao longo dos séculos, através de pinturas e obras de artes. Para este autor, na Idade Média, o sentimento de infância não existia. Elas não eram negligenciadas, porém, o sentimento de distinção entre criança e adulto, hoje presentes, não fazia parte da consciência social daquela época.
O autor supracitado ainda afirma que as crianças eram submetidas a trabalhos pesados, sendo rapidamente integradas ao mundo adulto. O serviço doméstico se confundia com aprendizagem, como uma forma comum de educação, dada pela convivência com adultos. Segundo ele
a família não podia portanto, nesta época, alimentar um sentimento existencial profundo entre pais e filhos. [...] A família era mais uma realidade moral e social, mais do que sentimental.” (ARIÈS, 2006, p.231). Ariès aponta em seus estudos iconográficos a raridade de se ver a família, o que se via era multidão de pessoas, não estranhas, mas de certa forma arraigadas: crianças, vizinhos, homens, mulheres, até a imagem da Igreja se fazia muito presente entre estes cenários. Gradualmente, ele observa as primeiras cenas familiares, prova do direito da sociedade sobre a intimidade do lar.
Assistimos, assim, ao nascimento e desenvolvimento do sentimento de família, entre os séculos XV e XVIII, “uma transformação profunda e lenta, mal percebida tanto pelos contemporâneos como pelos historiadores, e difícil de reconhecer”.(ARIÈS, 2006, p.231). Considerando-se os inúmeros problemas enfrentados pela escola e seus educadores, e verificando-se as alterações ocorridas na sociedade nas últimas gerações, especialmente na entidade familiar, destaca-se, como fator preponderante, o papel da família frente à vários problemas relacionados à aprendizagem dos alunos, distúrbios generalizados que desafiam a comunidade e o meio educacional. Através da discussão sobre família e dificuldades de aprendizagem, salienta-se a grande importância da participação da instituição familiar nas escolas e no processo de aprendizagem do aluno, formando uma comunidade engajada na solução de tais dificuldades.
A família é um grupo social que influencia e é influenciado por um grupo maior: a sociedade. Tais interferências têm vários carateres, entre eles o aspecto biopsicossocial, num movimento dialético: macro-grupo (sociedade) para um micro-grupo (família) e vice-versa. Muitas famílias reagem satisfatoriamente a tais influências que tendem a desequilibrar a dinâmica familiar. Entretanto, quando tal sistema se encontra fragilizado, as interferências vindas de fora do núcleo familiar podem desestabilizá-la. Assim, “uma família disfuncional é um sistema que respondeu a estas exigências internas ou externas de mudança, estereotipando seu funcionamento.” (MINUCHIN, 1990, p. 108). A instituição familiar, assim como todas as outras instituições da sociedade, reflete as mudanças que ocorrem na sociedade, e no decorrer destas alterações se organizaram diferentes modelos familiares que deixaram de se basear no modelo predominante, tornando-se cada vez mais diversificados. Esta mudança se dá através de uma dialética entre o tradicional e o moderno. Figueira (1987, p.29) reafirma esta idéia retratando mais especificamente nosso contexto, e ainda acrescenta que na velocidade destas transformações coexistem antigos e novos ideais:
[...] não há, propriamente, uma nova família brasileira. Ainda estamos longe de uma família realmente nova [o que quer que isto signifique]. No momento, o moderno convive com o arcaico na família brasileira de modos sutis e complexos que só recentemente começaram a ser estudados.
Os discursos sobre as transformações na família, bem como sobre as condições que os originam, variam bastante. Observa-se uma percepção contraditória: instituição de grande segurança versus instituição em desagregação e crise. A percepção negativa aparece devido às condições de vida, à violência, menores abandonados, crimes familiares, bem como a mídia que trata de mostrar o amplo leque de estilos alternativos de vida. Por outro lado, verifica-se também o discurso sobre novos direitos e responsabilidades dos membros da família, desejando estabelecer-se uma ordem e padronização de comportamentos, historicamente estimulado pela sociedade e pela Igreja, com a visão clássica do casal e filhos felizes.
Atualmente, há diversos modelos de núcleos familiares presentes no cotidiano escolar, com algumas mudanças sociais, como o aumento do número de pais e mães solteiros e/ou separados, casais morando sob o mesmo teto sem a oficialização do casamento, adoções individuais e famílias homossexuais, com reflexos na estrutura e no modelo de família até então considerado na sociedade como “normal”.
O alto índice de divórcios é outro ponto a ser observado de vários ângulos. Fatores como projetos individuais e ascensão pessoal profissional reforçam a incompatibilidade descoberta depois da vida conjugal. A realização pessoal é priorizada antes dos objetivos familiares. Quando existem filhos na relação, o casal tende a suportar mais um tempo juntos até decidir-se pela separação. Para Waldemar (1996, p.175) “os pais precisam aprender a separar a relação marital que termina, da relação parental, que continua.” Este autor a inda afirma que, a proporção das reações dos filhos vai depender da maturidade, capacidade de lidar com a situação e idade dos mesmos.
As crianças podem responder com muitos comportamentos: o de reunificação, acreditando que os pais irão reatar; o de responsabilidade, julgando os mesmos serem os causadores da separação; o de abandono, pensando o que será deles dali pra frente; o de raiva, tornando-se agressivos na escola, com amigos e outros familiares; o de negação, reafirmando que esta situação vai passar e que eles, de fato, não estão se separando, entre outras. (WALDEMAR, 1996). Enfim, é uma situação difícil para a criança, uma vez que muitas não têm maturidade psicológica para suportar toda esta carga emocional instável em tão tenra idade.
A FAMÍLIA, A CRIANÇA E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
Para investigarmos melhor o tema, é importante delimitarmos o conceito dificuldade de aprendizagem, sob a ótica de vários autores. Segundo Gómez e Terán (2008), para estudarmos o processo de aprendizagem, devemos considerar toda uma bagagem de experiências, cultura, religião, vivências entre outros sentimentos que envolvem o aprender; um processo que se dá por toda a vida.
Há, na literatura, discordância nas diferenças entre distúrbio e dificuldade. De acordo com Ciasca (2003), o distúrbio de aprendizagem se caracteriza por uma disfunção do sistema nervoso central, já a dificuldade escolar está relacionada, especificamente, a um problema de ordem ou origem de método de ensino. Para José e Coelho (2006, p.23) os problemas de aprendizagem referem-se às situações difíceis enfrentadas pela criança normal e pela criança com um desvio do quadro normal mas com experiência de aprendizagem a longo prazo [alunos multirrepetentes]. Segundo Scoz (1994, p.19) “não é fácil uma definição clara e abrangente para designar ‘problemas de aprendizagem’ ”, pois, segundo ela, tal definição transitou por várias áreas do conhecimento ao longo dos anos, passando pelo enfoque biológico-orgânico, da Medicina, principalmente na área da Psiquiatria, posteriormente pela Psicologia, atingindo também a Psicanálise, até obter propostas da Pedagogia e mais recentemente, da Psicopedagogia.
Para Pain (1992, p.31)
o problema da aprendizagem pode surgir como uma reação neurótica à interdição da satisfação, seja pelo afastamento da realidade e pela excessiva satisfação da fantasia, seja pela fixação com a parada do crescimento da criança. Fica claro que esta autora busca elucidar as razões dos problemas de aprendizagem segundo a Psicanálise. Já Visca (1991 apud Scoz, 1994, p.28) observa a aprendizagem sob um olhar orgânico ou biológico: concebe a aprendizagem como uma construção intrapsíquica, com continuidade genética e diferenças evolutivas, resultantes das pré-condições energético-estruturais do sujeito e das circunstâncias do meio. É comum as pessoas restringirem o processo de aprendizagem somente ao ambiente escolar, porém, este deve ser encarado mais amplamente. Nos deparamos com situações de aprendizagem em vários momentos e ambientes: hábitos que formamos, valores que consolidamos, o modo com reagimos na nossa cultura, entre outros aspectos relevantes no decorrer da vida.
O processo de aprendizagem sofre interferência advinda de vários fatores, entre eles: o intelectual, o psicomotor, o físico e o social. Mas, o que se destaca é o fator emocional, o qual depende grande parte da educação. (JOSÉ e COELHO, 2006).
Cabe ao educador estar atento aos sinais de dificuldade de aprendizagem que seu aluno apresente, e sempre se atualizar para obter um conhecimento prévio sobre problemas que possam envolver aspectos neurológicos, psicológicos, biológicos, entre outros que dizem respeito ao método ineficaz ou inadequado utilizado pelo educador; ou que demonstrem ser de cunho ambiental, isto é, quando dizem respeito ao meio em que a criança está inserida (GOMEZ e TERÁN, 2008).
Esta postura facilita o encaminhamento a um especialista que orientará o educador num sentido que beneficiará a relação com o aluno, bem como será observado se a criança necessita de um acompanhamento concomitante em uma instituição de atendimento especial.
O número de alunos com dificuldades de aprendizagem vem aumentando consideravelmente nos últimos anos. E quando entra o fator “causa”, a família aparece como um dos indicativos principais, pois é freqüente o discurso, no cotidiano escolar, especialmente em instituições educacionais que atendem às famílias de baixa renda, do professor desamparado, frustrado com o desempenho insatisfatório dos alunos que protesta contra a falta de cooperação e ausência dos pais.
As dificuldades de aprendizagem podem ser decorrentes de déficits cognitivos que prejudicam a aquisição de conhecimentos, como também, na maioria delas, são apenas resultantes de problemas educacionais ou ambientais que não estão relacionados a um comprometimento cognitivo.
As crianças, desde o seu nascimento, estão em constante contato com diferentes ambientes, e através de várias mídias como a televisão, a música, a internet, entre outras, aprendem valores e formas diferentes de olhar o mundo, moldando sua identidade, personalidade e caráter.
As crianças convivem e compartilham a forma como compreendem o mundo ao seu redor, fazendo disso uma reprodução e reinvenção do mundo. Para Sarmento e Vasconcelos (2007, p.28) [...] vários autores têm chamado a atenção para a diversidade das formas e modos desenvolvimento das crianças, em função da sua pertença cultural – isto é, sustentam que a cultura molda a infância, por contrapor a idéia de uma natureza universal da infância, suposta a partir de estudos centrados no ocidente [e.g.Roff, 2003] com a norma da infância ocidental e a revolução das concepções da infância não equivalem ao que ocorre noutras partes do mundo ou nas culturas não ocidentais [e.g. Mead, 1970].
Como observamos no parágrafo acima, os autores, estes fatos são produzidos mais fortemente na modernidade ocidental, que originou ideias de infância na qual o adulto tem um olhar diferenciado para a criança, pois é um ser incompleto. Segundo Sarmento e Vasconcelos (2007, p.33), “a infância como a idade do não está inscrita desde o étimo da palavra latina que designa esta geração: in-fans- o que não fala”, (grifos dos autores) distiguindo-se assim, segundo o mesmo, da idéia de “adultez”.
Assim, antes de considerar as influências da cultura escolar, vem a importância da investigação sobre o que acontece dentro do lar da criança, onde a cultura social reflete no contexto de seu desenvolvimento.
Desse modo, o meio pode ser - em alguns casos - o fator principal do problema de uma criança, ou contribuir em muito para tal deficiência. Muitas vezes, é possível modificar o ambiente para que a criança adquira a habilidade que ainda não possui. Devemos entender como meio, tanto a situação física na qual vive uma criança, quanto os relacionamentos entre essa criança e os outros indivíduos.
Neste caso, fatores familiares podem contribuir para o transtornos de aquisição de competências, refletindo nas diversas dificuldades de aprendizagem. Nas situações em que ocorrem essas aprendizagens nas quais a criança encontra-se, geralmente são desenvolvidas também formas de aprender que influenciarão a aprendizagem futura, isto é, até a vida adulta.
Questões agravantes ao ambiente familiar contribuem para as dificuldades na aquisição de conhecimentos: o alcoolismo, as ausências prolongadas, as enfermidades, a violência doméstica, o falecimento dos pais ou parentes e a separação conjugal, fatores que trazem desajustamentos dependendo do grau de maturidade da criança.
Muitos pais afirmam que os filhos são responsáveis pelo problema, pois acreditam que eles não tenham interesse pelos conteúdos escolares, são preguiçosos para realizar as tarefas, são distraídos, menosprezam os esforços que os pais fazem por eles e são “mal-criados”.
Tal crença faz com que as crianças se responsabilizem por algo que não compete somente a elas, o que prejudica a auto-estima, bem como gera reações emocionais de tristeza, irritabilidade, cansaço e, com freqüência, desinteresse pelo estudo. Além disso, essa idéia não oportuniza a busca de auxílio adequado à criança, ou seja, uma avaliação de uma equipe multidisciplinar: médica, psicológica, assistência social e pedagógica, que verifique os motivos da dificuldade e que direcione as modificações necessárias, sendo estas no âmbito da família, da escola e da própria criança.
-A PSICOPEDAGOGIA E A APRENDIZAGEM
Observamos que "problemas de aprendizagem" tem sido a forma encontrada por vários especialistas para nomear o que não corresponde ao que se espera de um aluno no processo de aprendizagem. Tais "problemas" podem ocorrer no aprendizado dos conteúdos escolares, no relacionamento com a comunidade escolar (instituição e as pessoas que a compõem), dentre outros. Diante destas questões, surge um novo saber: a Psicopedagogia.
Segundo Bossa (2000), este novo saber nasce da preocupação dos cientistas e filósofos em entender e propor soluções para as dificuldades de aprendizagem. Tal preocupação tem origem na Europa no século XIX. A autora relaciona esse movimento à consolidação do capitalismo industrial e o enfraquecimento dos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade do século XVIII. Com este novo quadro, a sociedade passa a se organizar de um modo no qual são esperados resultados eficientes e que os indivíduos estejam adequados ao que é esperado deles.
Bossa (2000, p.39) ainda destaca o surgimento dos primeiros centros para atendimentos psicopedagógicos na França, em 1946, com uma prática, a princípio, marcada pelas práticas médica, pedagógica e psicanalítica: através dessa cooperação Psicologia- Psicanálise- Pedagogia, esperavam adquirir um conhecimento total da criança e do seu meio, o que tornaria possível a compreensão do caso.
A Psicopedagogia, deste modo, recebe as primeiras influências destes movimentos franceses já marcados por um conhecimento diversificado na compreensão dos sintomas e dos tratamentos para os problemas de aprendizagem. São levadas para a Argentina, através de jovens que haviam estudado na Europa, as influências da evolução neste novo campo do conhecimento. Na Argentina, então, é tomada como modo de compreender e tratar as atribulações sociais: crises na escola, problemas com a reorganização no pós-guerra e evasão escolar, se desenvolvendo e ganhando cada vez mais reconhecimento e espaço. (BOSSA, 2000). Observamos que são reconhecidas também as contribuições de autores argentinos. No site da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2009), afirma-se que a Psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana: seus padrões normais e patológicos considerando a influência do meio - família, escola e sociedade - no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da Psicopedagogia.
Em outras palavras, sua práxis se sustenta em disciplinas muito diferentes, com pressupostos diferentes, dando margem a posturas clínicas e trabalhos teóricos diversos, como é possível observar no trecho publicado no referido site, tornando assim um quadro teórico vasto, com contribuições advindas da Medicina, Pedagogia, Sociologia, Filosofia, Fonoaudiologia, Neurologia, Psicologia, Psicanálise Psicopedagogia, por contar com a contribuição de várias áreas do conhecimento, já elencadas anteriormente, assume o papel de “desmistificadora” do fracasso escolar, de suas causas e conseqüências. Apresenta, assim, uma perspectiva diferenciada e responde a algumas dúvidas que há muito permeiam a mente de alguns educadores.
O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e na solução dos problemas de aprendizagem, sem procurar culpar ou acusar os personagens envolvidos no processo. Ele procura avaliar a situação da forma mais eficiente e proveitosa. Em sua avaliação, no encontro inicial com o aluno e seus familiares, ele utiliza recursos que o auxiliarão a captar explicações à causa do não-aprender das crianças.
Sabemos que a criança aprende muito fora da escola. Ela aprende em contato com o social, com a família e com o mundo que a cerca. A família é o primeiro vínculo com a criança. É nela que a criança tem contato com grande parte de sua primeira educação, aprendizagem e por meio desta, ela é inserida no meio cultural e simbólico, construindo seus saberes.
Atualmente, o que temos observado são famílias um tanto “perdidas” em meio a tantas formas e receitas de como educar seus filhos neste quadro contemporâneo, no qual a mídia dita os modos de viver, influenciando, assim, tantas instituições, mais fortemente o núcleo familiar entre outras.
Cabe ao psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, por meio de métodos próprios como dentre tantos, a entrevista e a anamnese com essa família, para tomar conhecimento de informações sobre sua vida cognitiva, social e emocional.
Pain (1981) busca abordar os problemas da aprendizagem à luz da Psicologia, mais especificamente da Psicanálise, trazendo um aporte teórico que propõe como tratar tais dificuldades A autora sugere investigar fatores internos e externos à criança, defendendo o uso de testes, entrevistas, atividades lúdicas, espontâneas ou dirigidas. Ela ainda cita o contato com os pais e educadores, na forma de encontros e visitas à instituição escolar que a criança freqüenta, incorporando-os ao diagnóstico.
É de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico e estar atento no que a família pensa e como reage sobre tais dificuldades, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento de seu filho.
Às vezes, quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas, a família tem uma grande parcela de participação nesse fato. São percebidos problemas de lentidão de raciocínio, de atenção e o desinteresse. E quando estes aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento, a família desempenha um papel importante na condução e evolução de tais problemas.
A intervenção psicopedagógica propõe a inclusão dos pais no processo, possibilitando o acompanhamento do trabalho junto aos educadores. Sendo assim, os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho educacional, sendo de suma importância sua opinião e participação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo, buscou-se discutir, sob a luz das ponderações de autores, como a relação da família para com os filhos pode interferir no processo de aprendizagem, trazendo à tona algumas dificuldades neste processo ou reiterando-as quando já detectadas.
Em muitas das situações em que ocorre a aprendizagem, a criança encontra-se no ambiente familiar, e ali são desenvolvidas também formas de aprender que influenciarão o processo futuro de aquisição de conhecimento, que perdura até a vida adulta. Quando esse processo ocorre de forma adequada, a aprendizagem acontece de forma equilibrada. Contudo, há situações familiares que não favorecem esse desenvolvimento.
Em uma família na qual, por exemplo, são dados à criança o amor, a atenção, o tempo e as condições necessárias para que ela brinque, explore os objetos e experimente o meio ao seu redor, situações, sensações, e aprenda com elas, pode ocorrer um desenvolvimento desejável com uma qualidade de aprendizagem satisfatória, e serão evitadas as dificuldades de aprendizagem de cunho emocional.
O contato saudável entre os membros da família faz com que a criança se sinta bem e lhe dá condições de desabafar, falar de suas angústias. Os filhos precisam confiar nos pais, e essa confiança é adquirida através do diálogo, onde pais e filhos se abrem e discutem suas preocupações.
As pessoas se preocupam cada vez mais com o lado profissional, e esquecem o pessoal, ou seja, passam mais tempo no trabalho ou em função dele, do que ao lado de seus entes queridos. Esse fato traz sensíveis prejuízos à vida. Outro desafio a ser enfrentado pela “nova família” está no resgate dos momentos que possibilitam a conversa e até as famosas discussões. Isso porque, na sociedade contemporânea, o ritmo de trabalho provocou uma grave intromissão no âmbito da subjetividade, o que impede os laços afetivos humanos de se desenvolverem, destacando assim a perda de qualidade de vida.
Precisamos compreender a sociedade a qual vivemos e suas influências para as instituições como a família e a escola, através de sua cultura, suas relações de classe e de produção, para compreender as especificidades do papel da família em relação às dificuldades de aprendizagem de suas crianças. Devemos reconhecer que as mudanças que vêm ocorrendo nas diversas fases de desenvolvimento da criança, na infância e na adolescência, já requerem novos olhares por parte dos profissionais. Isso nos leva a uma reavaliação do papel da escola e da família diante do ato de ensinar.
Por fim, esperamos ter contribuído, através desta produção teórica, para a discussão em volta do tema proposto, e que possa servir de referência para o desenvolvimento de outros trabalhos que possam vir trazer novos olhares às construções teóricas aqui expostas.
Bibliografia
6-BIBLIOGRAFIA
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2° Ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1978. Edição 2006, LCM.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Disponível em: <>. Acesso em: 15 de Outubro de 2009.
BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de Metodologia: um guia para iniciação científica. 2. ed. São Paulo, 1986.
BAUMAN, Zygmunt Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Jorge Zahar Editor, 2001.
BOSSA, Nadia. Psicopedagogia no brasil: Contribuições a partir da prática. 2° Ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
CIASCA, S. M. Distúrbios de Aprendizagem: Proposta de Avaliação Interdisciplinar. Campinas: Casa do Psicólogo, 2003.
ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Trad. Leandro Konder. 7°Ed. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1981.
GÓMEZ, Ana Maria Salgado. TERÁN, Nora Espinosa. Dificuldades de Aprendizagem: Detecção e estratégias de ajuda. Trad. Adriana de Almeida Navarro. São Paulo: Ed. Grupo Cultural, 2009.
JOSÉ, Elisabete Assunção. COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. 12.° Ed. São Paulo: Ática, 2006.
LIPOVETSKY, Gilles; CHARLES, Sébastien. Os tempos hipermodernos. Trad. Mario Vilela. São Paulo: Ed. Barcarolla, 2004.
MINUCHIN, Salvador. Famílias – Funcionamento e Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4° Ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
SARMENTO, Manuel Jacinto; VASCONCELLOS, Vera Maria Ramos. Infância (in)visível. Araraquara, SP: Junqueira & Marin Editores, 2007
SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e Realidade escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
WALDEMAR, Jose O. Divórcios e recasamentos: Enfrentando o desconhecido In: PRADO, Luiz Carlos (org). Famílias e terapeutas: construindo caminhos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
Avaliar ou examinar?
Josiane Benedet
As opiniões se dividem quando o assunto é avaliação. Segundo Hamilton Werneck, pedagogo, escritor, conferencista e doutorando em educação, há uma contradição nas escolas brasileiras em relação a esse tema. “Usa-se o termo avaliação e, na realidade, se examina, o que é muito diferente.”
Profissão Mestre – O que é um processo de avaliação?
Hamilton Werneck – Existem duas palavras que precisam ser salientadas nesta pergunta: avaliação e processo. Avaliar significa diagnosticar, verificar se o educando aprendeu, em que grau aprendeu e, portanto, não é uma ação pontual que ocorre somente quando se faz um teste. Avaliar é verificar quais reforços são necessários para que o educando recupere o que não aprendeu em determinado período. Avaliar não implica em classificar. Pergunta-se: classificar para quê? O que a classificação acrescenta no aprendizado do aluno?
Nós não estamos fazendo concurso para preenchimento de vagas numa instituição pública ou fundacional. Processo enfatiza o caminho usado, não um momento final de verificação. Quando temos uma visão de “processo”, estamos avaliando continuamente, todos os dias, inclusive através do sistema de observação direta do educador quando os educandos estão realizando alguma tarefa.
PM – Quais são os objetivos da avaliação?
HW – Verificar o que um aprendeu e o que o outro não aprendeu. Quem vê a avaliação como um meio para enviar notas para a secretaria, cumpre um dever puramente burocrático, não pensa na inclusão dos educandos, geralmente não é compromissado com eles e pensa que a missão de ensinar acaba quando a aula foi ministrada.
Mas a missão de aprendizagem não acaba enquanto o aluno não aprender, portanto, não cabe separar as coisas: professor é uma coisa e aluno é outra. Essa é a visão cartesiana questionada por Platão muito antes de René Descartes, em O Sofista, quando ele condena essa mania de tudo separar. Quem pensa que está avaliando para dar nota, na verdade, está examinando, o que é bem diferente de avaliar.
PM – E quais são as diferenças entre avaliar e examinar?
HW – O ato de examinar é pontual, não inclui processo, geralmente tem hora e data marcada no calendário. Mas quando analisamos nossas escolas, vemos examinação, e não avaliação, porque esta sempre foi a cultura que assimilamos desde os tempos da chegada dos colonizadores ao Brasil.
Estamos impregnados de examinação como os povos da Roma Antiga estavam impregnados de escravidão porque viviam cercados de escravos por todos lados. A avaliação é feita para buscar novos caminhos de reposição do conhecimento, visando incluir os educandos entre os que aprenderam.
PM – Quais são os principais erros cometidos pelas escolas em relação a esse assunto?
HW – Os exames, com a aplicação das médias que consideram o período em que o educando não sabia um determinado conteúdo, favorecem a exclusão da escola. A questão da avaliação no Brasil tornou-se semântica. Usa-se o termo avaliação e, na realidade, se examina.
Os principais erros cometidos nas organizações de provas e exames estão contidos na desconsideração pelo contexto. Para sermos bons educadores precisamos saber três coisas importantes: sabermos ensinar; sabermos quem é João; sabermos em que contexto João vive.
A falta de contextualização é um grande erro tanto quanto o desconhecimento do educando e do conteúdo que ministramos. Outro erro muito grave é o da homogeneidade. Queremos que todos saibam do mesmo modo, aprendendo dentro dos mesmos tempos e parâmetros, tudo de maneira uniforme, como se nossa aula fosse uma fábrica do início do século XX: provas homogêneas buscando medir conhecimentos homogêneos sem a consideração dos vários contextos dos educandos; querer que turmas e alunos diferentes tenham a mesma velocidade ao aprender para poderem responder às mesmas questões de uma mesma prova.
Por fim, o maior de todos os erros está na desvinculação daquilo que se ensina em relação à vida dos que aprendem.
PM – Quais são as principais conseqüências, para os alunos, de um processo equivocado?
HW – As conseqüências são claras: mais evasão e repetência por causa dos desestímulos; insistência, sem estudos mais aprofundados, da permanência dos conteúdos programáticos distantes da realidade; pouca coisa é atual e útil para quem estuda; a nomenclatura predomina porque enche, facilmente, as questões de uma prova; os educandos seguem um caminho que não leva a lugar algum (decoram, fazem prova e, depois, esquecem). Isso significa que tempo, verba e energia humana são desperdiçados no decorrer dos anos da escolaridade dos educandos brasileiros.
PM – A avaliação deve ser feita para verificar o que o aluno sabe ou o que ele não sabe?
HW – A avaliação é feita para constatar as duas coisas com o complemento que envolve o grau do saber e do não saber. Corrigir é uma coisa bem diferente de assinalar erros. A escola tradicional está fixada no negativo. Marca erros e, depois de muitos anos, o educador tem a impressão de que a educação não tem jeito porque ele só vê erros pela frente. O professor que assim age passa a olhar para dentro de si como um incapaz de ensinar.
Entretanto, se ele olhar para o que os seus alunos aprenderam graças à sua competência terá, certamente, uma auto-estima mais elevada. Olhando os aspectos que indicam a assimilação por parte dos educandos, podemos nos concentrar nas aulas seguintes, na reposição daqueles conhecimentos não assimilados, nos exercícios para fixar mais o que representa dificuldade e desenvolvermos a avaliação em processo, através das observações dos trabalhos individuais ou em grupo. Essa avaliação exigirá do educador uma capacidade de estar sempre em observação.
Desenvolver com os educandos um trabalho em grupo e ficar sentado na mesa fazendo outra coisa, leva pelo espaço e tempo uma enorme energia de ambos. O trabalho, feito ou não, para quase nada serviu. O educador continua sem saber quem sabe, quem reaprendeu e quais as questões que ficam em aberto. O trabalho em grupo como um processo de aprendizado e avaliação necessita da presença do educador em contato contínuo com os grupos para esclarecer, responder, ouvir e acompanhar. Assim ele saberá quem sabe e quem não sabe e o que sabem e o que não sabem.
PM – Qual a maneira mais eficiente para avaliar algo intangível?
HW – É importante definir bem os termos. Tangível, em nossa resposta, é aquilo que é palpável, material, como os carros e prédios de uma empresa; intangível será o que não se toca, não se pesa, mas que tem uma força maior do que o tangível, tal como o nome de uma empresa, sua logomarca, seu conceito no mercado.
Se compararmos com alguma taxonomia ligada à avaliação, diríamos que tangível está para objetivos cognitivos, e intangível para os objetivos afetivos. Sempre é mais difícil avaliar os objetivos afetivos. O educador necessitará de muita atenção para perceber se um educando está mais predisposto a aprender, está com mais prontidão e atenção em relação àquela disciplina. Observar o que os educandos fazem dentro de um conjunto de conteúdos, além do que o professor está exigindo, será um modo de avaliar a resposta desse educando. Porém, não a resposta a uma pergunta, mas a resposta com mais leitura – além da exigida – mais trabalho livre, além daquele precisado pelo educador.
Finalmente, quando se percebe que o educando aderiu aos valores que a disciplina apresenta, mesmo que tais adesões não sejam medidas através de perguntas nas provas, chegaremos à culminância dos objetivos afetivos ou do intangível, porém, mais importante do que saber a métrica dos versos elizabetanos.
PM – Qual é a melhor maneira de avaliar o crescimento humano de um aluno? A prova é uma delas?
HW – Esta pergunta reflete a visão predominante da educação brasileira: instrucionista. Se, de um lado, o positivismo disseminou a educação, sobretudo pública, em alguns Estados brasileiros, por outro, preocupou-se com a instrução, segmentando-a da educação. Como os positivistas não conseguem compreender o “EU” pessoal interagindo com os demais, houve, e há, uma dificuldade grande para se formar cidadãos comprometidos com as pessoas e com o meio em que vivem.
A maneira de avaliar um educando, em seu crescimento humano, está além da prova. Muito além. Só fará essa avaliação quem com ele conviver, solidarizar-se, sentindo e vivendo suas alegrias e tristezas. Sem a alteridade em pleno funcionamento, não teremos transformações necessárias desse Homo sapiens demens, carente de amor e hospitalidade.
As opiniões se dividem quando o assunto é avaliação. Segundo Hamilton Werneck, pedagogo, escritor, conferencista e doutorando em educação, há uma contradição nas escolas brasileiras em relação a esse tema. “Usa-se o termo avaliação e, na realidade, se examina, o que é muito diferente.”
Profissão Mestre – O que é um processo de avaliação?
Hamilton Werneck – Existem duas palavras que precisam ser salientadas nesta pergunta: avaliação e processo. Avaliar significa diagnosticar, verificar se o educando aprendeu, em que grau aprendeu e, portanto, não é uma ação pontual que ocorre somente quando se faz um teste. Avaliar é verificar quais reforços são necessários para que o educando recupere o que não aprendeu em determinado período. Avaliar não implica em classificar. Pergunta-se: classificar para quê? O que a classificação acrescenta no aprendizado do aluno?
Nós não estamos fazendo concurso para preenchimento de vagas numa instituição pública ou fundacional. Processo enfatiza o caminho usado, não um momento final de verificação. Quando temos uma visão de “processo”, estamos avaliando continuamente, todos os dias, inclusive através do sistema de observação direta do educador quando os educandos estão realizando alguma tarefa.
PM – Quais são os objetivos da avaliação?
HW – Verificar o que um aprendeu e o que o outro não aprendeu. Quem vê a avaliação como um meio para enviar notas para a secretaria, cumpre um dever puramente burocrático, não pensa na inclusão dos educandos, geralmente não é compromissado com eles e pensa que a missão de ensinar acaba quando a aula foi ministrada.
Mas a missão de aprendizagem não acaba enquanto o aluno não aprender, portanto, não cabe separar as coisas: professor é uma coisa e aluno é outra. Essa é a visão cartesiana questionada por Platão muito antes de René Descartes, em O Sofista, quando ele condena essa mania de tudo separar. Quem pensa que está avaliando para dar nota, na verdade, está examinando, o que é bem diferente de avaliar.
PM – E quais são as diferenças entre avaliar e examinar?
HW – O ato de examinar é pontual, não inclui processo, geralmente tem hora e data marcada no calendário. Mas quando analisamos nossas escolas, vemos examinação, e não avaliação, porque esta sempre foi a cultura que assimilamos desde os tempos da chegada dos colonizadores ao Brasil.
Estamos impregnados de examinação como os povos da Roma Antiga estavam impregnados de escravidão porque viviam cercados de escravos por todos lados. A avaliação é feita para buscar novos caminhos de reposição do conhecimento, visando incluir os educandos entre os que aprenderam.
PM – Quais são os principais erros cometidos pelas escolas em relação a esse assunto?
HW – Os exames, com a aplicação das médias que consideram o período em que o educando não sabia um determinado conteúdo, favorecem a exclusão da escola. A questão da avaliação no Brasil tornou-se semântica. Usa-se o termo avaliação e, na realidade, se examina.
Os principais erros cometidos nas organizações de provas e exames estão contidos na desconsideração pelo contexto. Para sermos bons educadores precisamos saber três coisas importantes: sabermos ensinar; sabermos quem é João; sabermos em que contexto João vive.
A falta de contextualização é um grande erro tanto quanto o desconhecimento do educando e do conteúdo que ministramos. Outro erro muito grave é o da homogeneidade. Queremos que todos saibam do mesmo modo, aprendendo dentro dos mesmos tempos e parâmetros, tudo de maneira uniforme, como se nossa aula fosse uma fábrica do início do século XX: provas homogêneas buscando medir conhecimentos homogêneos sem a consideração dos vários contextos dos educandos; querer que turmas e alunos diferentes tenham a mesma velocidade ao aprender para poderem responder às mesmas questões de uma mesma prova.
Por fim, o maior de todos os erros está na desvinculação daquilo que se ensina em relação à vida dos que aprendem.
PM – Quais são as principais conseqüências, para os alunos, de um processo equivocado?
HW – As conseqüências são claras: mais evasão e repetência por causa dos desestímulos; insistência, sem estudos mais aprofundados, da permanência dos conteúdos programáticos distantes da realidade; pouca coisa é atual e útil para quem estuda; a nomenclatura predomina porque enche, facilmente, as questões de uma prova; os educandos seguem um caminho que não leva a lugar algum (decoram, fazem prova e, depois, esquecem). Isso significa que tempo, verba e energia humana são desperdiçados no decorrer dos anos da escolaridade dos educandos brasileiros.
PM – A avaliação deve ser feita para verificar o que o aluno sabe ou o que ele não sabe?
HW – A avaliação é feita para constatar as duas coisas com o complemento que envolve o grau do saber e do não saber. Corrigir é uma coisa bem diferente de assinalar erros. A escola tradicional está fixada no negativo. Marca erros e, depois de muitos anos, o educador tem a impressão de que a educação não tem jeito porque ele só vê erros pela frente. O professor que assim age passa a olhar para dentro de si como um incapaz de ensinar.
Entretanto, se ele olhar para o que os seus alunos aprenderam graças à sua competência terá, certamente, uma auto-estima mais elevada. Olhando os aspectos que indicam a assimilação por parte dos educandos, podemos nos concentrar nas aulas seguintes, na reposição daqueles conhecimentos não assimilados, nos exercícios para fixar mais o que representa dificuldade e desenvolvermos a avaliação em processo, através das observações dos trabalhos individuais ou em grupo. Essa avaliação exigirá do educador uma capacidade de estar sempre em observação.
Desenvolver com os educandos um trabalho em grupo e ficar sentado na mesa fazendo outra coisa, leva pelo espaço e tempo uma enorme energia de ambos. O trabalho, feito ou não, para quase nada serviu. O educador continua sem saber quem sabe, quem reaprendeu e quais as questões que ficam em aberto. O trabalho em grupo como um processo de aprendizado e avaliação necessita da presença do educador em contato contínuo com os grupos para esclarecer, responder, ouvir e acompanhar. Assim ele saberá quem sabe e quem não sabe e o que sabem e o que não sabem.
PM – Qual a maneira mais eficiente para avaliar algo intangível?
HW – É importante definir bem os termos. Tangível, em nossa resposta, é aquilo que é palpável, material, como os carros e prédios de uma empresa; intangível será o que não se toca, não se pesa, mas que tem uma força maior do que o tangível, tal como o nome de uma empresa, sua logomarca, seu conceito no mercado.
Se compararmos com alguma taxonomia ligada à avaliação, diríamos que tangível está para objetivos cognitivos, e intangível para os objetivos afetivos. Sempre é mais difícil avaliar os objetivos afetivos. O educador necessitará de muita atenção para perceber se um educando está mais predisposto a aprender, está com mais prontidão e atenção em relação àquela disciplina. Observar o que os educandos fazem dentro de um conjunto de conteúdos, além do que o professor está exigindo, será um modo de avaliar a resposta desse educando. Porém, não a resposta a uma pergunta, mas a resposta com mais leitura – além da exigida – mais trabalho livre, além daquele precisado pelo educador.
Finalmente, quando se percebe que o educando aderiu aos valores que a disciplina apresenta, mesmo que tais adesões não sejam medidas através de perguntas nas provas, chegaremos à culminância dos objetivos afetivos ou do intangível, porém, mais importante do que saber a métrica dos versos elizabetanos.
PM – Qual é a melhor maneira de avaliar o crescimento humano de um aluno? A prova é uma delas?
HW – Esta pergunta reflete a visão predominante da educação brasileira: instrucionista. Se, de um lado, o positivismo disseminou a educação, sobretudo pública, em alguns Estados brasileiros, por outro, preocupou-se com a instrução, segmentando-a da educação. Como os positivistas não conseguem compreender o “EU” pessoal interagindo com os demais, houve, e há, uma dificuldade grande para se formar cidadãos comprometidos com as pessoas e com o meio em que vivem.
A maneira de avaliar um educando, em seu crescimento humano, está além da prova. Muito além. Só fará essa avaliação quem com ele conviver, solidarizar-se, sentindo e vivendo suas alegrias e tristezas. Sem a alteridade em pleno funcionamento, não teremos transformações necessárias desse Homo sapiens demens, carente de amor e hospitalidade.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
MANTENHA O BOM HUMOR SEMPRE...
Por Karmem A. Amambahy
Pare de se queixar e viver dizendo que as coisas são difíceis, que nada presta, para que tanta amargura? As coisas são difíceis sim, nada é tão fácil no mundo de hoje, mas quanto mais você afirmar que a dificuldade existe e que você é infeliz, mas tudo dará errado na sua vida... Pense nisso!!!
Quantos minutos por dia você pensa com otimismo para as coisas que você quer realizar? Karla Precioso prega que “um punhado de farinha ruim é capaz de estragar o pacote inteiro” e acredito nisso.
Portanto, sorria, brinque, alimente-e de bom humor, alegria sempre. A vida é uma grande dádiva, uma deliciosa brincadeira e tudo o que mais deseja é que você seja capaz de pegar as suas frustrações, suas dificuldades, seus rancores e dores e brinque com ela, buscando soluções inteligentes. Pense nisso e mude as suas atitudes validando os demais e sendo feliz com a felicidade dos outros.
Pare de se queixar e viver dizendo que as coisas são difíceis, que nada presta, para que tanta amargura? As coisas são difíceis sim, nada é tão fácil no mundo de hoje, mas quanto mais você afirmar que a dificuldade existe e que você é infeliz, mas tudo dará errado na sua vida... Pense nisso!!!
Quantos minutos por dia você pensa com otimismo para as coisas que você quer realizar? Karla Precioso prega que “um punhado de farinha ruim é capaz de estragar o pacote inteiro” e acredito nisso.
Portanto, sorria, brinque, alimente-e de bom humor, alegria sempre. A vida é uma grande dádiva, uma deliciosa brincadeira e tudo o que mais deseja é que você seja capaz de pegar as suas frustrações, suas dificuldades, seus rancores e dores e brinque com ela, buscando soluções inteligentes. Pense nisso e mude as suas atitudes validando os demais e sendo feliz com a felicidade dos outros.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Como é o desempenho dos estudantes que vivenciam a separaçao dos pais?
Por Karmem
Carmen Guerreiro
Se não forem bem assistidos terá um baixo desempenho escolar, e ai os professores têm papel importante na detecção desses problemas. Não fazem lição de casa, perdem o rumo, e assumem a própria vida sozinha, sem apoio dos pais. Esse tipo de sobrecarga está comprovado que afeta o desempenho escolar e todo comportamento emocional e psicológico da criança, levando por caminhos muitas vezes sem volta como o vicio das drogas, álcool, e etc.
Ai vem à pergunta que não quer calar:
O simples fato de ter pais separados leva as crianças a ir mal à escola? As crianças com pais casados não têm o mesmo tipo de dificuldade?
Claro que filhos de família estruturada também apresentam dificuldades escolares, mas o bom relacionamento entre pais e filhos e a harmonia do casal são elementos fundamentais para a obtenção de um bom desempenho escolar.
Não há duvidas de que o que acontece no âmbito familiar da criança, como a separação dos pais, interfere no seu emocional e uma grande parte dos problemas educacionais infantis continua a ser originado no lar. Pois estes aprendem mais e melhor com o apoio dos pais, sentindo-se mais seguros, motivados, estimulados e com vontade de aprender.
O fator que define se uma criança é ou não afetada por esse tipo de evento familiar pode estar ligado ao que Arruda se refere como "resiliência" - a capacidade da criança de se adaptar e lidar com uma situação difícil separadamente da sua vida escolar. "Na física, resiliência é a capacidade de um material sofrer transformação e voltar ao seu estado original, como a borracha e o elástico. Esse conceito foi transferido para a saúde mental infantil e crianças com alto desempenho escolar e bom índices de saúde mental são consideradas altamente resilientes. “São capazes de sofrer o impacto e, com a perda, não se deformarem, e voltarem a seu estado original”
Tudo depende de sua estabilidade emocional, da estrutura e rotina que os pais estabelecem e de questões práticas como a lição de casa etc. O problema não seria a separação em si, mas como os pais deixam o fato influenciar a vida do filho que fica abandonado, sozinho, e não têm orientação e cobrança adequadas, pois os pais estão preocupados demais com a separação”, expondo-o a brigas constantes.
Muitas vezes o aluno é inteligente, capaz, esperto, mas não entrega os trabalhos. Outros têm nota baixa por dificuldade de aprender e compreender, apesar de se esforçar. E às vezes não existe nenhuma correlação entre nota baixa e pais separados. Porque muitos até preferem os pais separados que entendem melhor da criação e rotina escolar. Nessa situação, os professores muitas vezes são os primeiros a presenciar mudanças no comportamento desse aluno e identificar a fonte do problema.
Hoje, o tempo que os pais têm para ficar com os filhos está sendo inferior ao do professor. Por isso como aborda a psicopedagoga Maria Cecília o professor deve estar atento a mudanças de comportamento do aluno, já que suas dificuldades podem vir à tona de diversas maneiras. "Alguns se mostram mais dispersos, apáticos, não demonstram interesse e envolvimento com as atividades. Outros são hiperativos e agitados", Independentemente de como a criança ou adolescente demonstra os problemas que está enfrentando em função da separação dos pais, deve haver um canal aberto para conversa entre alunos e professores.
Sabemos que cada escola lida com a questão de uma maneira, na nossa, sempre se percebe quando o aluno está passando por esse ou outro tipo de dificuldade, porque, quando aquele aluno que sempre fez as atividades começa a deixar de fazer ou fica calado, ou bagunçando tem algo muito grave acontecendo, ai é hora de procurar ajudá-los.
Ai vem à pergunta que não quer calar:
O simples fato de ter pais separados leva as crianças a ir mal à escola? As crianças com pais casados não têm o mesmo tipo de dificuldade?
Claro que filhos de família estruturada também apresentam dificuldades escolares, mas o bom relacionamento entre pais e filhos e a harmonia do casal são elementos fundamentais para a obtenção de um bom desempenho escolar.
Não há duvidas de que o que acontece no âmbito familiar da criança, como a separação dos pais, interfere no seu emocional e uma grande parte dos problemas educacionais infantis continua a ser originado no lar. Pois estes aprendem mais e melhor com o apoio dos pais, sentindo-se mais seguros, motivados, estimulados e com vontade de aprender.
O fator que define se uma criança é ou não afetada por esse tipo de evento familiar pode estar ligado ao que Arruda se refere como "resiliência" - a capacidade da criança de se adaptar e lidar com uma situação difícil separadamente da sua vida escolar. "Na física, resiliência é a capacidade de um material sofrer transformação e voltar ao seu estado original, como a borracha e o elástico. Esse conceito foi transferido para a saúde mental infantil e crianças com alto desempenho escolar e bom índices de saúde mental são consideradas altamente resilientes. “São capazes de sofrer o impacto e, com a perda, não se deformarem, e voltarem a seu estado original”
Tudo depende de sua estabilidade emocional, da estrutura e rotina que os pais estabelecem e de questões práticas como a lição de casa etc. O problema não seria a separação em si, mas como os pais deixam o fato influenciar a vida do filho que fica abandonado, sozinho, e não têm orientação e cobrança adequadas, pois os pais estão preocupados demais com a separação”, expondo-o a brigas constantes.
Muitas vezes o aluno é inteligente, capaz, esperto, mas não entrega os trabalhos. Outros têm nota baixa por dificuldade de aprender e compreender, apesar de se esforçar. E às vezes não existe nenhuma correlação entre nota baixa e pais separados. Porque muitos até preferem os pais separados que entendem melhor da criação e rotina escolar. Nessa situação, os professores muitas vezes são os primeiros a presenciar mudanças no comportamento desse aluno e identificar a fonte do problema.
Hoje, o tempo que os pais têm para ficar com os filhos está sendo inferior ao do professor. Por isso como aborda a psicopedagoga Maria Cecília o professor deve estar atento a mudanças de comportamento do aluno, já que suas dificuldades podem vir à tona de diversas maneiras. "Alguns se mostram mais dispersos, apáticos, não demonstram interesse e envolvimento com as atividades. Outros são hiperativos e agitados", Independentemente de como a criança ou adolescente demonstra os problemas que está enfrentando em função da separação dos pais, deve haver um canal aberto para conversa entre alunos e professores.
Sabemos que cada escola lida com a questão de uma maneira, na nossa, sempre se percebe quando o aluno está passando por esse ou outro tipo de dificuldade, porque, quando aquele aluno que sempre fez as atividades começa a deixar de fazer ou fica calado, ou bagunçando tem algo muito grave acontecendo, ai é hora de procurar ajudá-los.
Carmen Guerreiro
sábado, 5 de fevereiro de 2011
De quem é a culpa?
Responsabilizar o aluno pelo abandono é a saída mais fácil. Na verdade, ele é o menos culpado. Pesquisas indicam que existem dois conjuntos de fatores que interferem no abandono escolar. O primeiro deles é o chamado risco social. Fatores como a condição socioeconômica e o lugar de residência podem aumentar a pressão para a desistência: com a necessidade de complementar a renda familiar, muitos jovens são atraídos pelo trabalho precoce e largam os livros.
POR QUE O ALUNO SE SENTE DESMOTIVAD?
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, apenas 21,8% dos adolescentes que têm ocupação continuam indo às aulas. Entretanto, os estudos mostram que a própria escola colabora para agravar a evasão. Os altos índices de repetência exercem um papel fortíssimo - longe de sua faixa etária original, o aluno se sente desmotivado a seguir aprendendo.
ESCOLA NÃO SERVE PARA NADA?
A miopia para enxergar o problema atrapalha. Em geral, a interrupção dos estudos é o passo final de um processo que deixa sinais. O primeiro costuma ser o desinteresse em sala. Indisciplina e atos de violência também são comuns. Logo começam as faltas, cada vez mais frequentes. Por fim, a ausência definitiva. Também são recorrentes, sobretudo entre os jovens, as queixas de que a escola "não serve para nada".
POR QUE IR Á ESCOLA?
Estudioso da relação entre os jovens e o saber, o pesquisador francês Bernard Charlot descobriu que a maioria só vê sentido em ir à escola para conseguir um diploma, poder ganhar dinheiro num emprego ou ter uma vida tranquila no futuro. Como predomina a ideia de um aprendizado sem sentido, muitos se desestimulam e desistem. O relatório Motivos da Evasão Escolar, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o desinteresse é a causa principal da saída definitiva para adolescentes entre 15 e 17 anos.
COMO REVERTER A EVASÃO?
Fica claro que a escola precisa olhar para si própria. Do ponto de vista da gestão, uma providência essencial é atacar as causas da evasão. O acompanhamento eficiente da frequência - que também deve estar na pauta das reuniões pedagógicas - ajuda a mapear o problema e identificar os motivos das faltas. Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma de reverter o quadro: conversas com pais e alunos, visitas às famílias, aulas de reforço e campanhas internas e na comunidade.
SUSPENSÕES E EXPULSÕES SAO EFICAZES?
O tom deve ser de parceria e acolhimento, nunca de punição. Suspensões e expulsões podem ser rediscutidas. A ideia é simples: se a indisciplina é um dos caminhos que levam à evasão, não faz sentido punir o aluno impedindo que ele vá à escola. Em vez disso, é possível pensar em medidas que modifiquem a rotina do estudante, mas que o mantenham na instituição - estudar sozinho, com a obrigação de acompanhar o conteúdo, é uma alternativa.
POR QUE REPENSAR O CURRICULO?
Uma revisão curricular, sobretudo nas séries em que a evasão é maior (no fim do Ensino Fundamental e no Médio), parece inevitável. O projeto pedagógico precisa garantir que a escola não seja vista como uma obrigação, mas como um espaço de formação para a vida. Isso inclui, de um lado, diálogo com o universo dos jovens (refletindo, por exemplo, sobre o papel das novas tecnologias). De outro, um esforço para mostrar como conteúdos importantes, mas sem tanta aplicação direta (como boa parte dos tópicos da Matemática), são fundamentais para fazer avançar a capacidade intelectual. A mesma preocupação tem de estar presente em iniciativas de Educação em tempo integral ou no contraturno, que para serem efetivas devem estar articuladas com o projeto pedagógico da escola.
COMO GARANTIR QUE OS ALUNOS ESTAO APRENDENDO?
É necessário também arrumar o "lado de fora" dos muros, atacando o risco social. Em termos de políticas públicas, atrelar benefícios sociais como o Bolsa Família à frequência escolar funcionou, reduzindo na população atendida de 4,4 para 2,8% o total de crianças e jovens entre 7 e 14 anos fora da escola. Ampliar a ação pode dar bons resultados. Mas é preciso também garantir que esses alunos aprendam. Nesse sentido, uma boa sugestão é adicionar critérios que possam indicar se o estudante de fato avançou, aproveitando o direito a uma Educação de qualidade - e para todos.
Postado por Karmem
POR QUE O ALUNO SE SENTE DESMOTIVAD?
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, apenas 21,8% dos adolescentes que têm ocupação continuam indo às aulas. Entretanto, os estudos mostram que a própria escola colabora para agravar a evasão. Os altos índices de repetência exercem um papel fortíssimo - longe de sua faixa etária original, o aluno se sente desmotivado a seguir aprendendo.
ESCOLA NÃO SERVE PARA NADA?
A miopia para enxergar o problema atrapalha. Em geral, a interrupção dos estudos é o passo final de um processo que deixa sinais. O primeiro costuma ser o desinteresse em sala. Indisciplina e atos de violência também são comuns. Logo começam as faltas, cada vez mais frequentes. Por fim, a ausência definitiva. Também são recorrentes, sobretudo entre os jovens, as queixas de que a escola "não serve para nada".
POR QUE IR Á ESCOLA?
Estudioso da relação entre os jovens e o saber, o pesquisador francês Bernard Charlot descobriu que a maioria só vê sentido em ir à escola para conseguir um diploma, poder ganhar dinheiro num emprego ou ter uma vida tranquila no futuro. Como predomina a ideia de um aprendizado sem sentido, muitos se desestimulam e desistem. O relatório Motivos da Evasão Escolar, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o desinteresse é a causa principal da saída definitiva para adolescentes entre 15 e 17 anos.
COMO REVERTER A EVASÃO?
Fica claro que a escola precisa olhar para si própria. Do ponto de vista da gestão, uma providência essencial é atacar as causas da evasão. O acompanhamento eficiente da frequência - que também deve estar na pauta das reuniões pedagógicas - ajuda a mapear o problema e identificar os motivos das faltas. Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma de reverter o quadro: conversas com pais e alunos, visitas às famílias, aulas de reforço e campanhas internas e na comunidade.
SUSPENSÕES E EXPULSÕES SAO EFICAZES?
O tom deve ser de parceria e acolhimento, nunca de punição. Suspensões e expulsões podem ser rediscutidas. A ideia é simples: se a indisciplina é um dos caminhos que levam à evasão, não faz sentido punir o aluno impedindo que ele vá à escola. Em vez disso, é possível pensar em medidas que modifiquem a rotina do estudante, mas que o mantenham na instituição - estudar sozinho, com a obrigação de acompanhar o conteúdo, é uma alternativa.
POR QUE REPENSAR O CURRICULO?
Uma revisão curricular, sobretudo nas séries em que a evasão é maior (no fim do Ensino Fundamental e no Médio), parece inevitável. O projeto pedagógico precisa garantir que a escola não seja vista como uma obrigação, mas como um espaço de formação para a vida. Isso inclui, de um lado, diálogo com o universo dos jovens (refletindo, por exemplo, sobre o papel das novas tecnologias). De outro, um esforço para mostrar como conteúdos importantes, mas sem tanta aplicação direta (como boa parte dos tópicos da Matemática), são fundamentais para fazer avançar a capacidade intelectual. A mesma preocupação tem de estar presente em iniciativas de Educação em tempo integral ou no contraturno, que para serem efetivas devem estar articuladas com o projeto pedagógico da escola.
COMO GARANTIR QUE OS ALUNOS ESTAO APRENDENDO?
É necessário também arrumar o "lado de fora" dos muros, atacando o risco social. Em termos de políticas públicas, atrelar benefícios sociais como o Bolsa Família à frequência escolar funcionou, reduzindo na população atendida de 4,4 para 2,8% o total de crianças e jovens entre 7 e 14 anos fora da escola. Ampliar a ação pode dar bons resultados. Mas é preciso também garantir que esses alunos aprendam. Nesse sentido, uma boa sugestão é adicionar critérios que possam indicar se o estudante de fato avançou, aproveitando o direito a uma Educação de qualidade - e para todos.
Postado por Karmem
COMO MANTER TODOS NA ESCOLA?
Texto de Rodrigo Ratier
Imagine por um instante o momento mais agudo da aula mais dificil. Meia duzia de alunos dormem nas ultimas fileiras. Um trio troca mensagens de celular. Dois meninos se estapeiam. Uma turma discute sobre futebol. Nas primeiras carteiras, so um pequeno e compassivo grupo se esforça para prestar atenção naquilo que voce, aos berros, tenta dizer. Nessas horas, um pensamento emerge"gostaria de ensinar apenas para os que querem aprender."Quem nao esta afim que saia.Será melhor assim!
Não será. O desafio de ser professor exige educar todos, sem exceção. O Brasil, por enquanto, esta perdendo essa batalha. É verdade que os indices de acesso á Educação avançaram nas últimas tres décadas, mas os indicadores de permanência -a taxa de abandono, que mostra os que não concluiram o ano letivo, e a de evasão, que aponta os que não se matricularam no ano seguinte -não caminharam no memso ritmo. Hoje de cada 100 estudantes que ingressam no ensino fundamental, apenas 36 concluem o ensino médio.
HISTORIA DE QUIJINGUE
Quijingue é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população estimada em 2004 era de 27.617 habitantes.
Município da microrregião de Euclides da Cunha, foi classificado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o segundo pior município brasileiro em desenvolvimento Humano IDH.
HISTÓRIA
Na Fazenda Onça, de propriedade do Sr. Gregório José de Almeida, anualmente era comemorado o dia de São João da Onça, e em razão do sucesso alcançado a festa passou a chamar-se de "São João da Onça", sendo freqüentada por todos os moradores das regiões vizinhas, onde aconteciam queima de fogos, fogueiras e outras atividades juninas, com o passar do tempo a festança fora transferida para a Fazenda Lagoa Grande, que a partir de então, passou a contar com um fluxo de pessoas cada vez maior, sendo construídos os primeiros casebres e a capela, com a colaboração do conselheiro Francisco e do Sr. Gregório de Almeida, procedente do Bom Conselho, atual Cícero Dantas, acompanhado de vários seguidores, chegou ao arraial, por volta de 1893, Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, quando o nome da localidade, de Lagoa Grande mudou para o de Triunfo, sendo seus fundadores: Severo Ferreira de Brito, Gregório José de Almeida, Joaquim Pereira de Oliveira, Salú, José Peba e José Bezerra de Oliveira. Nesse período, o povoado fora visitado pelos "Revoltosos" que inquietavam a população por onde passavam. Posteriormente contou com a presença do cangaceiro, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Pertencente ao município de Tucano, o povoado passou a ser denominado Distrito de Triunfo, e com o surgimento de um maior número de habitantes e a necessidade de libertar-se do julgo do Município de Tucano, surgiram os primeiros movimentos para emancipação política, que veio a se concretizar em 15 de março de 1962, através da lei nº 1.640.
QUIJINGUE - palavra indígena que significa Mata Fechada.
ÁREA GEOGRÁFICA
Localização Geográfica: Semi-árido (Sertão)
Área Territorial: 1.271,07 km²
Microrregião: Euclides da Cunha
Divisas do Município: Araci, Tucano, Ribeira do Pombal, Banzaê, Euclides da Cunha, Monte Santo, Cansanção e Santa Luz.
Indicadores Demográficos:
População Total: 27.354 - (IBGE: estimativa 2007)
População da Sede: 7.386 (IBGE: estimativa 2007)
Número de Eleitores: 19.661.
Município situado na MESO 04 (Nordeste Baiano), MRG 014 (Euclides da Cunha), desmembrado do Município de Tucano pela lei nº. 1.640, de 15.03.1962, com sede na localidade de igual nome e instalado aos 07.04.1963.
Quijingue era distrito de Tucano desde a DTB de 1933 onde aparece com o nome de Triunfo (criado pela Lei Municipal nº. 11, de 30.04.1917), nome com o qual permaneceu até que o Decreto Lei Estadual nº. 141, de 31.12.1943, alterou para Quijingue.
CARACTERÍSTICAS ECONÔMICAS
Finanças Públicas
Receitas orçamentárias realizadas: 12.503.094,00 reais
Receitas orçamentárias correntes: 13.413.425,69 reais
Fundo de Participação do Município (FPM) - 4.947.488.82 reais
Fonte: Wikipédia / quigingue.com/historia
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