sábado, 30 de abril de 2011

HISTÓRIA DE PROFESSOR

Adriana Ferronato Paris
Era uma vez um professor do ensino fundamental que estava no início de sua carreira e foi para sala de aula cheio de ideologia, achando que iria mudar o mundo. Bom, se não mudasse o mundo, pelo menos mudaria algo na educação – Era assim que ele pensava.
Porém, no primeiro ano em que estava trabalhando, percebeu que ninguém tinha avisado para ele, que seus sonhados alunos dos tempos de formação, (tão perfeitos no sonho), tinham se transformado naquele misto de indisciplina e desinteresse que estava ali na sua frente. Com raríssimas exceções, aquelas crianças aparentavam estar mais próximas da debilidade que da inteligência. Ele estava realmente muito decepcionado.
Lembrou-se dos seus planos e dos seus sonhos e começou a refletir:
Devia ser a escola, só podia ser! Quem poderia aprender numa escola assim? Carteiras desconfortáveis; alunos demais para um espaço tão pequeno; ventilação inadequada; poeira; cheiro de mofo...
Tudo isso, além de trazer-lhe decepção, agravava seus problemas respiratórios. Sua saúde física e mental estavam sendo abaladas.
E aqueles programas de ensino? Horríveis! E os livros didáticos então? Ultrapassados, sem atrativos e cheios de idéias equivocadas.
Foi então que o professor ficou sabendo que em breve haveria um concurso para a inspetoria de ensino, e mesmo se achando meio covarde por pensar em desistir de seus sonhos, (ele iria mudar o mundo, lembra?) enfiou a cara nos estudos. Estudou todas teorias mais recentes, se esforçando ao máximo para não ter que enfrentar mais um ano de sala de aula. Sua saúde não agüentaria.
Algo aconteceu então.
Nem ele soube ao certo, se por excesso de cuidados com sua saúde ou se por extrema devoção àquelas crianças tão necessitadas de saber, ou ainda, se por falta de compromisso com aquela educação desconexa e irreal, ou até mesmo pela soma desses motivos, mas a partir daquele momento o professor resolveu levar seus alunos para um ambiente mais agradável, onde pudessem pelo menos respirar tranqüilamente.
Começaram sentando-se sob a sombra agradável das árvores próximas à escola, onde as aulas pareciam ter ganho um pouco mais de ânimo. O professor percebeu então, que seus alunos estavam muito interessados na paisagem próxima dali. Resolveu levá-los para passear, ver essa paisagem de perto. Tocá-la. Nesses passeios seus alunos acabavam recolhendo pedrinhas, pequenos insetos, flores, plantas, e tudo viravam motivo de debate e ponto de partida para o conhecimento. As crianças discutiam as distâncias que haviam sido percorridas, demonstrando um conhecimento matemático que até então, seu professor desconhecia que tinham. Visitavam também a gente do povo em seus afazeres e trabalhos corriqueiros, tendo sempre muitos assuntos a tratar e transformar em conhecimento.

Quando voltavam para a sala de aula era evidente o desnível entre os dois momentos. Lá fora, as crianças traduziam seus sentimentos com sorrisos e expressões de bem estar. Lá dentro, aulas sem atrativos, maçantes.
Aquele valente professor se encheu de coragem e resolveu mudar tudo. Teve uma brilhante idéia. Iria dar aulas lá fora, explicar todos os conteúdos que fossem possíveis, pois percebeu que seus alunos poderiam aprender com extrema facilidade daquela forma, e ao voltar para a sala de aula, teve outra brilhante idéia que complementou a primeira. Eles escreveriam tudo aquilo, construindo textos coletivos sobre o que haviam estudado. E fazendo esses textos, percebeu que poderia trabalhar sua língua mãe, exercitar a gramática e a ortografia de forma mais prazerosa que nos maçantes livros escolares. Os textos eram copiados pelas crianças em seus cadernos e depois ilustrados conforme a visão de cada um. As crianças, felizes e entusiasmadas com a construção desse conhecimento, queriam mais.
E o professor proporcionou mais. Com extremo sacrifício, comprou uma antiga impressora de tipografia e deu vida a uma idéia conjunta. O que era estudado, virava texto coletivo. Esse texto, depois de devidamente corrigido e revisado era impresso na velha impressora tipográfica pelos próprios alunos.
A correspondência interescolar foi mais uma conquista dos alunos e do professor. Aquelas crianças passaram a receber e enviar cartas para outras escolas do país e até para outros países. Eles já não estavam sós. Havia, naquele momento, muitos professores interessados em conhecer e em aplicar aquela nova metodologia de ensino. Nosso conhecido professor era requisitado para contar sua experiência em congressos e encontros pedagógicos. Unindo-se então com um bom número de professores, organizou uma cooperativa de ensino que em poucos anos tinha um grande número de adeptos.
Quanto orgulho para o professor e seus alunos!
Porém algo aconteceu que veio a mudar os rumos da história.
As pessoas da pequena cidade que acompanhavam aquele trabalho acharam que o professor estava ficando louco. Imaginem só! Já tinha tudo nos livros! Para quê crianças pobres como aquelas precisavam mais que isso? Aquele doido que não se atrevesse a ir pedir patrocínio. Não seria gasto nem um centavo com aquela gente sem importância.
Além do mais, com essa loucura toda, aquelas crianças petulantes estavam começando a questionar os preços das mercadorias nos mercados, questionavam os comerciantes quanto a lucros exorbitantes, não acreditavam mais em todas as notícias dos jornais, que eram lidos com criticidade, imaginem! E se achavam no direito de discutir em pé de igualdade com os filhos da gente rica de lá. – “Não, isso não estava certo” – diziam os moradores mais influentes. Foi quando nosso professor recebeu a gentil sugestão de pedir transferência para outro local, de preferência longe dali.

Ele foi trabalhar em outra cidade, com sua impressora tipográfica e seus ideais como peças fundamentais de sua bagagem. Naquela ocasião, lhe vieram à mente todos os momentos dos oito anos de trabalho na escola anterior. Lembrou-se de seus estudos para o concurso que nem chegou a fazer, mas que certamente influenciaram cada passo que dera até ali. Lembrou-se de seus alunos, de seus medos e isso lhe trouxe ainda mais força para continuar.
Em sua nova escola encontrou muitas dificuldades, mas a essa altura já era experiente e não se assustou. Fez o seu trabalho com amor. Utilizou sua metodologia, fez crescer seus ideais, buscou mais adeptos para a cooperativa que crescia e proporcionava boas idéias, vindas de muitas partes do mundo. Colocava as idéias em prática com determinação. Naquele momento, já possuía impressoras mais eficientes e além disso, sua participação em congressos era muito requisitada. Os polêmicos artigos que escrevia eram criticados por uns e adorados por outros. Seus ideais também. Ideais esses que a essa altura já tinham virado foco de atenção no meio pedagógico de seu país, o que lhe trouxe algumas alegrias e muitos aborrecimentos. As autoridades locais não podiam aceitar os rumos que as coisas estavam tomando. E depois de tentarem prender nosso professor, que foi defendido pelos pais e alunos da escola, exoneraram-no.
Abatido, mas não derrotado, aquele professor mudou-se para outra cidade onde montou uma escola, e onde mais uma vez se encheu de coragem e ergueu a bandeira de seus ideais, que continuavam tão vivos quanto há quatorze anos quando começou sua história profissional.
Muito envolvido em lutas de classe e na política de seu país, escrevia artigos cada vez mais polêmicos, tomava atitudes cada vez mais ousadas. Lutava bravamente a favor das classes sociais menos favorecidas com o intuito de minimizar as diferenças.
Porém, mais uma vez suas atitudes louváveis para a maioria desfavorecida, estavam sendo julgadas com rigor e desaprovação pela minoria dominante. Nosso professor, foi acusado de ser um perigoso líder terrorista, sendo visto como comandante de um centro de espionagem internacional (e tratava-se apenas da cooperativa de professores que havia criado há tantos anos).
Seu país tinha acabado de entrar em guerra e essas questões eram muito delicadas. Ele foi preso. Sua saúde frágil já havia resistido a uma guerra, há muitos anos, onde lutara, fora ferido e desenganado pelos médicos, que na época lhe recomendaram repouso e vida tranqüila. A profissão de professor parecia ser a saída, já que não exigia tanto esforço físico, mesmo sabendo que seus dias de vida seriam poucos, pois seus pulmões haviam sido afetados sobremaneira. E no entanto, contra todas as expectativas, ali estava ele, tantos anos depois. Sendo preso e levado para um campo de prisioneiros de guerra, onde, apesar de muito doente, alfabetizou alguns companheiros de cárcere e escreveu alguns artigos.
Ficou preso por cerca de dois anos e nos quinze anos que se seguiram, aquele homem de personalidade forte e saúde fraca fortaleceu seus ideais, fortificou a cooperativa de ensino que havia fundado e deixou um legado pedagógico que é seguido por muitos educadores pelo mundo afora.
História real?
Ficção?
Trata-se da história de um homem magnífico que acreditou em seus ideais e soube despertar os ideais mais nobres de seus próximos, principalmente das crianças com quem conviveu e a quem educou.
Este homem chamava-se Célestine Freinet, francês, marido de Elise Freinet e pai de Madelaine Freinet, nascido em 15 de outubro de 1896 e falecido aos 70 anos, em 8 de outubro de 1966. Um homem que soube escrever sua história com os recursos que tinha. Não desistindo, nem se curvando aos percalços da vida.

BIBLIOGRAFIA:
Freinet, Elise -Nascimento de uma pedagogia popular. Editorial Estampa ltda. 1978 – Lisboa – Portugal.

POR QUE O DESINTERESSE PELA ESCOLA?

Márcia Ribas Athanázio

Não consigo imaginar, se por uma visão errônea, nos parecia que o dia de ingresso na escola era festivo. Marcava o início das responsabilidades, de nova fase, de respeito ao “mestre”, senhor do conhecimento e da verdade inquestionável.
Passada a idolatria, foram-se percebendo falhas, dificuldades e comprometimentos sérios em relação ao ensino e ao desenvolvimento, principalmente dos mais necessitados de acompanhamento.
Atualmente, perturba o fato de ouvir-se com freqüência, o clamor contra a situação precária em que a escola e os envolvidos no sistema se encontram. Referem-se tanto à questão financeira, quanto ao processo ensino-aprendizagem, que parece ter-se distanciado da realidade do aluno.
A cada dia procuram-se novos parâmetros, métodos, técnicas e práticas, que venham a facilitar o acesso à leitura e escrita, sem deixar desatendida qualquer criança que chegue à escola.
Carecemos de métodos que atualizem as práticas pedagógicas, ou simplesmente necessitamos sentir prazer para podermos transmiti-lo?
Lendo Ana Maria Machado, vejo-a escrever: “ Ninguém contrata um instrutor de natação que não sabe nadar. Mas temos professores que não lêem”.
Desnecessário salientar que temos inúmeros professores que dividem-se entre dias com carga horária completa, suas casas, filhos e muitas vezes, seu curso na área da educação. Talvez tenhamos que sair a procura de uma fórmula mágica para ampliar o dia, ou talvez, o fato de gostarmos daquilo que fazemos, leve-nos a ocupar esse tempo de maneira a caber nele um “pouquinho” de instrução por dia.
Aliado a tudo isso, deparamo-nos com os entraves burocráticos, com alguns administradores medíocres, com parcos recursos e, com todos os problemas que os educandos nos trazem, pois sabemos que impossível deixar do lado de fora a realidade social em que estão inseridos.
O educando ao chegar à escola, já traz consigo um acúmulo de informações que, por vezes, surpreende o educador, pois o acesso a ela é, hoje em dia, muito facilitado pelos meios de comunicação ( internet, televisão, leitura vasta e sem censuras ). E, natural é o fato de não contentar-se com qualquer conteúdo, questionando, contestando e fazendo valer suas posições em relação aos mais variados assuntos.
Sabemos que diploma não é mais sinônimo de emprego, somente os melhores colocam-se no mercado de trabalho e, não raro, sem alguma sorte, mesmo estes vêem-se sem horizontes.
Temos alguns pais, que espelhando-se em suas dificuldades, procuram fazer dos filhos verdadeiros gênios, orientando sua preparação para o futuro, através dos melhores colégios, cursos, leituras e tudo o mais ao seu alcance. E, naturalmente, ao educador coloca-se a sobrecarga de acompanhá-los.
Por outro lado, os mesmos educadores, vêem-se frente à classes em que boa parte não tem acesso a essas oportunidades e pouca noção tem sobre a real necessidade da alfabetização. E, justamente estes, é que precisam da eficácia da escola.
Frente à essa realidade, ao educador resta tornar o aprendizado interessante, mostrando ao educando o significado dessa aprendizagem, ou seja, deixando claro o uso da mesma no dia-a-dia, no uso do ônibus, na consulta à folhetos de propaganda, receitas, leitura de gibis, revistas, jornais, um manual de eletrodoméstico, ou até em uma pequena lista de compras.
O aprendizado dissociado da realidade, como fazia-se ao tempo das cartilhas, não desperta mais interesse algum, pois o educando não consegue compreender o que está fazendo e o por quê. A partir do momento em que o exercício da leitura e da escrita tem um sentido, o próprio texto irá, aos poucos, abrindo os horizontes e elevando a auto-estima de cada criança.
Em momento algum podemos deixar que o fracasso seja resultado da ausência de confiança do estudante ou do professor.
Historicamente, sabemos que em cada período da humanidade, a educação foi guiada em razão da força maior cultuada à época. Na antigüidade, os deuses tudo norteavam, logo, o exemplo deveria ser seguido. Na Idade Média, a igreja monopolizava todos os setores, orientando a educação para a obediência aos seus preceitos. Chegada a Modernidade, o capital passou a controlar as normas sociais e o comportamento.
Diante desta evolução não é difícil compreender a estagnação do processo ensino-aprendizagem, pois em momento algum, valorizou-se o pensar crítico, pelo contrário, a assimilação do pré-estabelecido era a tarefa única da educação, pois “o pensar” poderia colocar em risco o sistema.
Certamente, ainda hoje, a educação encontra-se comprometida por tais resquícios, mas inúmeros são os exemplos de educadores que, inconformados com os resultados pouco satisfatórios, dedicam-se diariamente a mudar essa realidade, com comprometimento, novas abordagens, novos estímulos.
O educador poderá ter como linha mestra uma das teorias colocadas ao seu dispor, mas possivelmente a mescla de algumas delas é que irá de encontro à sua realidade cotidiana.
E, ninguém melhor que o educador bem preparado para saber a real carência da turma à sua frente.
A escola, como era disposta há alguns anos atrás, facilitava a todos os integrantes: o professor não era questionado, nem cobrado; ao aprendiz cabia absorver os conteúdos, mesmo sem compreendê-los; à escola cabia a cedência das dependências e contratação de professores. Ninguém se comprometia verdadeiramente com o sistema, muito menos tinha a intenção de melhorá-lo. Os pais, por sua vez, estavam acomodados ao que vivenciavam geração à geração, julgando não ser concebida mudança já que “estava dando certo”.
As transformações são lentas, como aliás, em todos os setores da humanidade, porém, começa-se a perceber um novo olhar sobre o ensinar, ou melhor, “pela arte de transformar o saber em prazer”, parafraseando a pedagoga carioca Rita de Cássia Rocha Soares Chardelli

Encenação Teatral









Encenação teatral com os alunos do 2º ano matutino da Escola Navarro de Brito no dia 30/04/2011

Lembrando aos Pais:

•Trabalhe junto com a escola. Escola e família têm papeis diferentes, mais um objetivo comum. Respeite o espaça de cada um.
•Pergunte sempre a seu filho, como foi o dia na escola, mas não cobre uma resposta. Respeite sua privacidade.
•Compreenda que a responsabilidade das tarefas de casas é do seu filho. Seja parceiro quando necessário, mas não assuma a responsabilidade. Permita que ele arque com as conseqüências. Ah! Lembre-se que não é objetivo de um bom dever de casa, manter seu filho ocupado, assim não deve ser em excesso.
•Estimule-o a pensar por si só. Deixe que ele resolva os seus problemas, busque alternativas, ache soluções.
•Não torne o horário de estudos uma batalha, negocie e estabeleça metas. Cobre os resultados.
•Preocupe-se menos com a nota e mais com a aprendizagem.
•Confie na escola e caso tenha duvidas resolva-as com a escola e não com outros pais ou com seus filhos.
•Escolha bem a escola que irá matricular seus filhos, visite-a e conheça seu Projeto Político Pedagógico, após a escolha acredite em sua proposta e aceite sua forma de trabalhar.
• visite também as livrarias com o seu filho.
•Lembre-se: "a palavra convence, mas o exemplo arrasta" Seus comentários e principalmente suas ações influenciam diretamente na vida escolar de seus filhos.






REGRAS E LIMITES

A família ainda é o lugar privilegiado para a promoção da educação. Embora a escola, os clubes, os companheiros e a televisão exerçam grandes influencia na formação da criança, os valores morais e os padrões de conduta são adquiridos essencialmente através do convívio familiar. Quando a família deixa de transmitir estes valores adequadamente, os demais veículos formativos ocupam seu papel. Nestes casos, a função educativa, que deveria se apenas secundaria, muitas vezes passa a ser a principal na formação dos valores da criança.
No século passado os pais puniam e castigavam os filhos como um direito legítimo de educador. Era dever dos educadores corrigir, mesmo que com rigor físico, as rebeldias infantis. Aqueles que não corrigissem seus rebentos seriam questionados pela sociedade e ate culpados pelas desordens cometidas. A revolução de costumes dos anos 50 trouxe uma serie de questionamentos quanto à maneira de educar as crianças, e os novos pais se rebelaram quanto às regras rígidas de educação dos filhos passaram a conceder mais, quiseram se tornar mais amigos dos filhos, a utilizar diálogo como fonte de educação, porém essa nova maneira trouxe conseqüências inesperadas. Os filhos ficaram desobedientes, não respeitando seus pais e professores, muitas vezes deixando de estudar, não querendo assumir compromissos profissionais, tornando-se rebeldes. Qual seria o problema com essa forma de educar? Ser amigo do filho é melhor do que ser um pai autoritário e distante? É verdade que os métodos utilizados pela geração passada eram mais rigorosos, e que o dialogo é a melhor maneira de se resolver conflitos, e que é preferível um pai amigo a um pai distante e autoritário. No entanto os pais modernos para conquistar esse novo tipo de relacionamento, abriram Mao muitas vezes do seu papel de educadores. Deixaram de estabelecer regras, esqueceram que os pais são o modelo moral para seus filhos, passaram a usar a conversa de forma punitiva (horas de sermão e de ameaças) e não como uma forma de reflexão. Romperam com a punição e se tornaram permissivos.
Nestes encontros alem de outros temas discutiremos também os principais pontos que devem ser enfrentados pelos pais, para uma educação promissora, com alternativas adequadas para educar, sem punição física e com mais confiança na maneira de lidar com os conflitos. Pretendemos apenas contribuir com algumas idéias para educação das crianças e relacionamento familiar. Se pudermos colher bons frutos por esta semente plantada, estaremos plenamente satisfeita como gestores escolares.


Professora Karmem Amambahy

REUNIÃO DO IFE (Inserção da Família na Escola) abril /2011




GRUPO ESCOLAR NAVARRO DE BRITO
Av. Antonio Carlos Magalhães, n°. 307
Criada pela portaria n°. 2346 D. O. de 11 e 12/02/1981
Municipalizada Termo Aditivo n°. 01 D. O. 24/12/2002
REUNIÃO DO IFE (Inserção da Família na Escola) 30 de abril /2011
Objetivo
Incluir os pais no processo possibilitando o acompanhamento do trabalho realizado junto aos professores, abandonando o papel de meros espectadores, assumindo a posição de parceiros, participando e opinando.
DINÂMICA: "Teia de Aranha"
Objetivo: Mostrar que em um trabalho em grupo, todos devem permanecer unidos.
Material: Um rolo de barbante
Procedimento: Peça que a turma que fique em círculos. Segure a ponta do barbante e jogue o rolo para outra pessoa que esteja no lado oposto ao seu. Esta pessoa deve segurar uma parte do barbante de modo que não fique frouxo, e jogar para outro colega distante, e assim sucessivamente, até o último participante. Depois peça que um ou dois deles solte(m) o barbante. A teia se desmancha, ou fica frouxa. Então explique que em um trabalho em grupo acontece a mesma coisa. Se um do grupo abandona o trabalho ou o faz de maneira desinteressada, isso implicará na realização de todo o trabalho. Portanto, devemos cooperar e ter responsabilidade diante dos nossos compromissos, principalmente quando envolve outras pessoas.
•Apresentação do projeto e seus objetivos.
•Vídeo: O relacionamento entre pais e escola 7 min.
•Leitura: Regras e Limites, para garantir ao seu filho um desenvolvimento pacífico, feliz e livre de violência.
Após a leitura todos são convidados a darem suas opiniões sobre a questão, e as idéias principais serão discutidas ampliando a visão do fato, que é a complacência dos pais diante de ações dos filhos.
•Explanação do Vídeo Dra. Olga Tessari- 7min (Palmadinha Pedagógica)
•Ação: entregar um coração de papel ofício e pedir que
Listem coisas positivas de cada pessoa da família, incluindo-se na mesma.
Descrever situações em que conseguiu demonstrar seu amor pelos filhos.
•Entregar uma “Ficha Ajude seu filho a Aprender”
•Encerramento – slide Abraço

Gestores da Escola Navarro de Brito

sexta-feira, 29 de abril de 2011

(Educação de Jovens e Adultos)

Série – EJA (Educação de Jovens e Adultos)

Objetivos:
Construção de texto coletivo, utilizando rótulos e recortes de revistas, abordando situações de seu cotidiano.
Conteúdo:
•Leitura e escrita de rótulos e recortes de revista.
•Construção de texto coletivo.
Estratégia:
1-Explicar a atividade para os alunos;
2-Distribuir um rótulo ou recorte de revista para cada um;
3-Solicitar que cada aluno leia ou diga aos demais o que tem em mãos;
4-Fixar um cartaz na lousa para realização da atividade;
5-O texto coletivo será iniciado por eles com a nossa colaboração;
6-Convidar os alunos para construir uma frase inserindo a figura que tem em mãos e dar seqüência ao texto;
7-Ler o texto em conjunto;
8-Apontar discordâncias ortográficas e sugerir alterações;
9-Explicar a estrutura de um texto.
Avaliação:
Verificar se houve uma construção do texto coletivo de forma lógica e coerente;
Tempo de duração: 1h. e 30min.

Coordenador Pedagógico

Emanuelle Oliveira

O coordenador pedagógico é fundamental no ambiente escolar, pois ele promove a integração dos envolvidos no processo ensino-aprendizagem, estabelecendo relações interpessoais de forma saudável. Ele tem um papel essencial na valorização da formação do professor, pois desenvolve certas habilidades capazes de lidar com as diferenças, tendo como objetivo ajudar efetivamente na construção de uma educação de qualidade.
O coordenador pedagógico tem que ter consciência da responsabilidade e do papel que assume na instituição, por isso, deve estar em constante processo de formação e em parceria com o corpo docente, os pais, alunos e direção.
Agindo dessa forma, ele estará promovendo um ambiente democrático e participativo em que a comunidade escolar terá liberdade para produzir conhecimento, a mudanças atitudinais, procedimentais e conceituais nos indivíduos.
É através dos órgãos colegiados que teremos esses espaços de participação. Eles deverão assumir as transformações ocasionadas no ambiente, assim como o compromisso e a responsabilidade de seus componentes, pais, alunos, professores, coordenação e direção. Cabe ao coordenador atuar coletivamente, concebendo esses espaços como oportunidades para o desempenho das suas funções devendo mostrar indicativos de motivação vinda do esforço individual em busca do diálogo pedagógico que surgirá nos diferentes momentos da organização do trabalho.
Compete a direção e a coordenação pedagógica apoiar e sustentar um espaço em que haja reflexão, investigação, negociação e tomada de decisão colaborativa entre todos os atores da escola, valorizando a formação de professores e a sua.
O coordenador pedagógico tem, além, das funções pedagógicas, a tarefa de resolver os conflitos no espaço escolar, como os de ordem burocrática, disciplinar e organizacional. Ele deve dispor de métodos e ações que colaboram para o fortalecimento das relações entre a cultura e a escola. Para assumir esse cargo, é necessário estar preparado para enfrentar os problemas diários e atender aos pais, funcionários e professores com presteza e responsabilidade, incentivando a execução do projeto pedagógico e a participação de todos na construção do mesmo.
Algumas escolas questionam a necessidade de um coordenador na escola, todavia, chegam à conclusão que esse sujeito pode promover significativas mudanças, pois contribui de forma significativa para a formação e informação dos docentes. Ele torna o espaço escolar dinâmico e reflexivo, com isso, há uma maior superação de obstáculos, socialização de experiências e fortalecimento das relações interpessoais.
Partindo desse pressuposto, podemos perceber as funções formadora, articuladora e transformadora desse profissional no ambiente escolar. Seu papel é fundamental para a formação dos docentes envolvidos no processo educacional.

Referências bibliográficas:
CANÁRIO, R. (Org.). Formação e situações de trabalho. Porto Editora: Portugal, 1997.
LIBÂNEO, J. C. (2001). Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa.

Educação Renovada/EJA




O educador Paulo Freire não acreditava no uso convencional da cartilha como instrumento principal da transmissão do alfabeto, pois ela promovia um aprendizado mecânico, por meio da repetição de palavras desagregadas ou de frases elaboradas de forma artificial, como, por exemplo, a clássica “Eva viu a uva”.
Assim sendo, ele propôs outro método, o qual se solidificou, ao longo do tempo, como a metodologia de alfabetização de adultos por excelência. Este célebre pedagogo criticava incessantemente o legado de um conhecimento já edificado. Para ele, a educação consiste em uma ação que leva em conta o pensamento, o poder de reflexão e de ação do indivíduo.
Ele combatia a mera imitação de conceitos ditados por um sistema conservador, que deseja perpetuar suas convenções sócio-culturais. A aprendizagem de leitura e escrita tem que contemplar o processo reflexivo, os raciocínios indutivos, a opinião crítica e o engajamento político.
Normalmente a prática educacional tradicional, no que tange à aprendizagem do alfabeto, já provoca o êxodo de alunos nos graus de escolaridade comuns, que dirá no EJA, Educação de Jovens e Adultos? Esta pedagogia é uma verdadeira proposta de abandono da escola nestes níveis de aquisição do conhecimento.
Paulo Freire detectou nas cartilhas convencionais o total alheamento da realidade do aluno, com exemplos e contextos fora da existência do indivíduo, tornando o aprendizado algo sem sentido algum, principalmente depois de uma jornada diária de trabalho exaustivo e principalmente a partir das suas inquietações financeiras. Aos poucos o estudante percebe que o conteúdo adquirido na escola em nada pode auxiliar no seu dia-a-dia.
Nem mesmo com os deveres escolares ele podia interagir, pois não lhe restava muito espaço para meditar sobre os temas a ele impostos, já que todas as resoluções eram simplesmente entregues a ele, impedindo um maior esforço de indagação e busca de respostas.
Concluído o processo de averiguação do método tradicional, Paulo elaborou sua metodologia, na qual o estudante tem o direito de ser ouvido pelo professor, e de transmitir suas próprias vivências, a partir das quais seriam programadas as aulas, por meio de matéria-prima composta por ingredientes que fazem parte de sua realidade cotidiana. Este mecanismo de ensino permite ao aluno que ele conquiste preciosos instantes de meditação, os quais se concretizam no momento dos ‘círculos de cultura’, um dos estágios da metodologia de Paulo Freire.
Os frutos deste trabalho provocaram grandes surpresas no meio educacional, pois revelaram que em curto prazo os estudantes foram alfabetizados; somente um aluno abandonou o curso, o que prova a eficiência deste método. Substituindo as antigas cartilhas, novas foram produzidas, com outro teor, crítico e consciente, elaboradas por Paulo Freire e seus seguidores.
Infelizmente este material foi apreendido ainda na própria gráfica, e o mentor deste novo caminho seguiu para o exílio por alguns anos; Freire, porém, nunca vacilou e seguiu adiante em seu combate por uma educação renovada. De volta ao Brasil ele deu sequência a sua missão e modificou a mentalidade de inúmeras camadas de oprimidos.
A herança de Paulo Freire influencia profundamente, até hoje, a educação de adultos, pois revela que o aprendizado é um ato libertador que pretende emancipar o indivíduo das algemas das conveniências individuais e políticas, e situa o mestre na categoria dos medianeiros do saber, liberado do peso da alienação.

Planeta água



Guilherme Arantes
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés onde Iara mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra planeta água... terra planeta água
Terra planeta água.

Alfabetização de adultos


Água- a importância para nossas vidas.
Objetivos:
•Perceber as interferências negativas e positivas que o homem pode fazer na natureza, a partir de sua realidade social;
•Reconhecer que a qualidade de vida está ligada às condições de higiene e saneamento básico, à qualidade do ar e do espaço;
• Conscientizar da importância da água para a vida e que saibam utilizá-la sem desperdício, levando para seu meio social todos esses aprendizados.
Estratégias
•Leitura e discussão do texto “Nossa irmã água” Iniciar com leitura silenciosa e depois oral. Comentário dos sinônimos das palavras difíceis.
•Conversar com os alunos sobre a importância da água para o nosso organismo e o meio em que vivemos.
•Breve comentário sobre a importância da água;
•Reflexão sobre as diversas maneiras pelas quais podemos economizar água em nossas casas;
•Redação: Economizar água é preciso; (Os alunos farão leitura dos textos escritos)
•Confecção de um painel.
Trabalhar com a música “Planeta Água”, de Guilherme Arantes, onde irão elaborar cartazes em grupo retratando o que entenderam da mesma e/ ou Desenhar a música e expor os desenhos.
Avaliação: discussões do grupo, a participação e o envolvimento de cada aluno, de forma individual, bem como avaliar o desenvolvimento das atividades.

Bibliografia:
- Parâmetros Curriculares Nacionais, vol. 9 – Meio Ambiente e Saúde,
- GUARESCHI. A. Pedrinho-Jornal Mundo Jovem. Março/2004

O QUE DÁ CERTO NO EJA




A metodologia voltada para a formação de cidadãos mostra que o estudo faz diferença no seu cotidiano.
•Manter o interesse dos alunos que chegam cansados do trabalho.
•Planejar aulas que tenham relação com a vida deles e que não seja uma versão empobrecida do que são dados as crianças e adolescentes.
•Trabalhar com temas geradores, fazendo a ligação dos conteúdos escolares com a vida dos estudantes.
•. Despertar o senso crítico para que possam perceber o que é possível fazer na comunidade para melhorar a qualidade de vida.
•Relacionar os conteúdos estudados com fatos do cotidiano e da profissão de cada um.
•Tornar as turmas do EJA parte da comunidade escolar, é fundamental para o sucesso da aprendizagem e para evitar a evasão.
Trabalhar com:
•Meio ambiente
•Educação física (exercícios de relaxamento e alongamento) para doenças como artrite e osteoporose é ótimo.
•Musicas e brincadeiras, Vídeos, dinâmicas de grupo, filmes, entrevistas, documentários, livros, receitas (falando da cultura e das receitas regionais)
•Biblioteca/sala de leitura
•Oficinas, festas, feiras e eventos culturais, jornal interno (cada dia trazem algo vivenciado e colocam no mural jornal, notícias, fofocas trabalho, filhos, uma experiência nova...
•Exercício de gramática e ortografia, leitura, conteúdos, noções de higiene.

O trabalho é interdisciplinar em um só assunto pode se relacionar com varias disciplinas.
O conhecimento esta em tudo o que nos cerca no nosso cotidiano.
Antes de passar um vídeo, dar um texto sobre o tema e provocar uma breve discussão. Ao terminar o vídeo perguntar qual foi à parte mais emocionante, depois o momento do registro escrito. No final responder uma avaliação o que foi que mais chamou atenção do tema, a qualidade do lanche etc.

COMO EVITAR A EVASÃO DE JOVENS E ADULTOS:



Quem se matricula em uma sala de EJA tem a auto-estima devastada. O estudante sente vergonha de nunca ter estudado ou de ter parado de estudar a muitos anos, e medo do ridículo e do desconhecido. Sem contar o cansaço e as preocupações que só os adultos têm como pagar as contas ou educar os filhos. Mas algumas ações podem se retomadas para evitar que tudo isso afaste os alunos da escola:
•Mostrar que a atitude de voltar a estudar não deve ser motivo de vergonha, mas de orgulho.
•Ajudar o aluno a identificar o valor e a utilidade do estudo em sua vida por meio de atividades ligadas ao seu cotidiano.
•Elaborar aulas dinâmicas e estimulantes (é tentador ir para casa dormir, assistir TV com a família depois de um dia inteiro de trabalho)
•Ser receptivo para conversar, pois muitos vão á escola preocupados com problemas pessoais e profissionais.
•Mostrar que a aula é um momento de troca entre todos e que o saber do professor não é mais importante que o dele.
•Valorizar e utilizar os conhecimentos e as habilidades de cada um. Isso pode mudar o seu planejamento no meio do caminho, mas as aulas vão ficar mais interessantes.
•Promover entre os colegas o sentimento de grupo. Quando criam vínculos, eles se sentem estimulados a participar das atividades.

O Aprendizado


O aprendizado é um ato libertador que pretende emancipar o indivíduo das algemas das conveniências individuais e políticas, e situa o mestre na categoria dos medianeiros do saber, liberado do peso da alienação.
A educação consiste em uma ação que leva em conta o pensamento, o poder de reflexão e de ação do indivíduo.

Paulo Freire

sábado, 23 de abril de 2011

20 dicas para dominar as modernas práticas pedagógicas

Muitos professores têm dificuldade de passar o discurso pedagógico do papel para a prática. Não é para menos. Por isso, preparamos esta reportagem, repleta de dicas preciosas para professores generalistas e de todas as disciplinas. Elas foram desenvolvidas pelos avaliadores do Prêmio Victor Civita Professor Nota 10 e por vários especialistas na área da educação com base na leitura e na avaliação dos milhares de trabalhos inscritos nos últimos cinco anos no prêmio. Além das novas práticas - contextualização, interdisciplinaridade, avaliação... -, você vai encontrar sugestões para obter maior rendimento dos alunos. Boa leitura! E bom planejamento!
1. Plano de trabalho: conhecer a turma para saber o que e como fazer
Uma turma é sempre diferente da outra. Você sabe disso. E sabe também que, ao iniciar o trabalho com um novo grupo, é fundamental conhecê-lo bem. Só assim podem-se definir com clareza as melhores estratégias e os métodos e materiais a serem usados. É disso que trata o plano de trabalho. Baseado na proposta pedagógica da escola, ele deve também ser norteado pelo planejamento específico de cada série ou ciclo que varia de uma escola para outra. "O plano de trabalho trata das especificidades e demandas de cada turma", explica Maria Luisa Merino Xavier, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É importante, portanto, conversar com os professores da série anterior; descobrir se há alunos na turma com necessidades especiais; se existem, por exemplo, crianças de diversas culturas, etnias ou religiões; e pesquisar o histórico escolar de cada um. Entrevistas com os pais ou responsáveis também são úteis para saber com quem a criança mora, o que faz nas horas de lazer, se tem algum problema de saúde, de que brinquedos gosta e em que outras escolas estudou e como foram essas experiências. "É bom descobrir o que os pais pensam, o que esperam da escola e o que desejam para seus filhos", afirma Maria Luisa. Em sala, é hora de observar quem desenha bem, tem facilidade ou não para leitura, gosta de falar ou é mais tímido. Com tantas informações em mãos, você poderá elaborar estratégias adequadas para todo o grupo considerando as características de cada um. "O plano de trabalho não pode estar pronto nos primeiros dias de aula porque exige contato prévio com alunos e pais", afirma a professora. Além disso, é preciso levar em conta o seguinte: mesmo que você planeje suas aulas de acordo com os conteúdos a ser abordados, sempre haverá, ao longo do ano, a necessidade de mudar os rumos. Um dos motivos é atender às necessidades momentâneas dos alunos. De que adianta, por exemplo, seguir o roteiro sem abordar temas que todos vêem na TV, como as catástrofes naturais ocorridas ultimamente? "As aulas consistem em uma seleção pertinente para o momento, pois os conteúdos não se esgotam", diz Maria Luisa.
2.Avaliação: acompanhar o aluno para traçar o melhor caminho
A avaliação sempre deve estar a serviço do aluno. Isso significa que ela não tem como objetivo determinar as notas a ser enviadas à secretaria, mas acompanhar o caminho que o aluno faz, descobrir suas dificuldades e necessidades e alterar os rumos, se preciso. Ela é constante e pode ser feita durante trabalhos em grupo, jogos e brincadeiras. Só que o olhar do professor, nesses momentos coletivos, deve ser sempre para cada estudante. "Assim se observam os interesses e os avanços de todos na turma", revela Jussara Hoffmann, consultora em educação, de Porto Alegre. Ao pensar em avaliação, você pode lançar mão de atividades interativas em que existam o diálogo, a troca entre os alunos, a participação e a cooperação. Também é importante ter conversas individuais com os alunos, olhar o caderno e as produções, perguntar o que aprenderam e do que gostaram. O questionamento constante dá aos estudantes a oportunidade de aprofundar as suas respostas. Para que você aproveite tudo isso, o registro diário é fundamental. "A observação só se torna um instrumento válido quando é registrada. As anotações mostram em que as crianças se desenvolveram e em que elas ainda precisam avançar", afirma Jussara. Você pode ainda avaliar a produção de texto individual, as manifestações dos alunos sobre diversos assuntos ou sobre um mesmo tema, em vários momentos e as atividades menores, individuais e freqüentes, corrigidas imediatamente. É preciso garantir que o aluno possa expressar seu conhecimento de muitas maneiras (em músicas, textos, pinturas, fotos). Tudo isso contribui para a aprendizagem. O processo é semelhante a um percurso e seu papel não é esperar os alunos no final. Você acompanha a turma, ajudando a ultrapassar os obstáculos do caminho.
3. Contextualização: ela vai muito além da relação com o cotidiano
Existe uma certa confusão sobre o significado do termo contextualizar. A primeira definição é a de que se trata de trazer o assunto para o cotidiano dos alunos. É também, mas não só isso. Muitos conceitos e conteúdos são contextualizados na própria disciplina. "Isso significa colocar o objeto de estudo dentro de um universo em que ele faça sentido", afirma Ruy Berger, consultor em educação, de Brasília. Imagine que você está dando uma aula sobre divisão celular. Os estudantes precisam saber o que é DNA para poder entender o processo. Portanto, o DNA passa a ser um objeto de estudo que faz sentido nesse conteúdo, que é a divisão das células. Esse é um exemplo de contextualização que não está necessariamente ligado à vida das crianças (o que não impede que o professor diga que o DNA faz com que elas se pareçam com os seus pais, por exemplo). Entendido isso, evitam-se situações forçadas, em que o professor se sente na obrigação de relacionar todo e qualquer conteúdo à vida dos alunos. Algumas vezes, aquilo que ele não consegue contextualizar acaba até sendo excluído do currículo o que prejudica, e muito, a aprendizagem da turma.
4. Objetivo: só depois que ele é definido, vêm o conteúdo e a metodologia
Os objetivos que o professor deseja alcançar devem sempre preceder sua ação. O ideal é estabelecer primeiro um objetivo e, depois, um caminho para alcançá-lo o que inclui definir o conteúdo e a metodologia. "É preciso ficar atento para ver se a escola não está fazendo o contrário: definindo o caminho, que é passar um conteúdo preestabelecido, para depois pensar nos objetivos", alerta Danilo Gandin, especialista em planejamento da educação, de Porto Alegre. Segundo ele, muitas vezes os professores ficam presos à obrigação de trabalhar o currículo preestabelecido e, ao mesmo tempo, à necessidade de fixar objetivos, mesmo que eles não façam sentido. "Aparecem situações estranhas: enquanto o objetivo é desenvolver a consciência crítica, o conteúdo a ser passado é a crase", afirma. Obviamente o que domina a cena é a crase, que o professor pensa que tem de ensinar. O objetivo aparece apenas porque alguém disse que ele deveria estar lá. Para Gandin, é preciso pensar no que vai ser feito e para quê. Dois exemplos de objetivos que norteiam um trabalho: 1) realizar um estudo sobre a escravidão para aumentar a solidariedade e compreender mais profundamente o significado da liberdade; e 2) estudar a variação dos preços em dois supermercados para iniciar a compreensão do processo econômico no país. Esses objetivos, é bom lembrar, devem sempre estar alinhados com a proposta pedagógica da escola. Os conteúdos e a metodologia, portanto, são o caminho a ser trilhado com base no que se estabeleceu como meta.
5. Conhecimento prévio e interesse dos alunos: quem descobre é você
Os conteúdos abordados em sala de aula devem, basicamente, contribuir para a formação de cidadãos conscientes, informados e capazes de melhorar a sociedade. Por isso, é muito comum os professores tentarem montar suas aulas tendo como centro do trabalho o interesse dos alunos. Dessa maneira, eles teriam mais elementos para refletir sobre o meio em que vivem e sobre o que os cerca. Essa prática, porém, nem sempre garante bons resultados. "Ocorre até o contrário. Ao dar importância somente ao que os estudantes já conhecem, muitas vezes os professores acabam caindo na superficialidade, presos a interesses imediatos", alerta Danilo Gandin. Segundo ele, como conseqüência, surge um currículo ditado pelas circunstâncias, que destaca acontecimentos pontuais e não um roteiro de trabalho construído com base na relação entre a proposta pedagógica e a realidade. "Essa questão só se resolve quando a equipe de cada escola define os grandes horizontes políticos e pedagógicos de seu trabalho e, confrontando esses grandes ideais com a realidade e com a prática, descobre as necessidades de seus alunos", conclui.
6. Trabalho Interdisciplinar: as matérias se unem e os alunos aprendem
A interdisciplinaridade ocorre quando, ao tratar de um assunto dentro de uma disciplina, você lança mão dos conhecimentos de outra. Ao estudar a velocidade e as condições de multiplicação de um vírus, por exemplo, é possível falar de uma epidemia ocorrida no passado devido às precárias condições de saúde e higiene e à pobreza do local. Daí, é possível até explorar, em outros momentos, os aspectos políticos e econômicos que geraram tamanha pobreza. A interdisciplinaridade é, portanto, a articulação que existe entre as disciplinas para que o conhecimento do aluno seja global, e não fragmentado. É muito comum a idéia de que, ao utilizar um tema gerador, se garante a interdisciplinaridade. "Ela não se resume em escolher um tema e abordá-lo segundo a visão de duas ou mais disciplinas", afirma Ruy Berger. Ao estudar a questão dos índios, por exemplo, o professor de História fala sobre a colonização do Brasil, o de Língua Portuguesa trabalha as lendas indígenas e o de Matemática acaba propondo um problema sobre o índio: isso não garante a relação entre as disciplinas. O tema gerador pode ser um ponto de partida, mas não o centro do estudo e nem se alongar muito, para os alunos não se cansarem. Ao planejar, portanto, é importante levantar quais são as possibilidades de trabalhar de forma interdisciplinar ao longo do ano. Essas oportunidades podem ser criadas com base nas pesquisas dos alunos e do próprio professor ou em parceria com os colegas de outras disciplinas.
7. Seqüência didática: uma série de aulas que desafia e ensina os alunos
A seqüência didática é um conjunto de aulas planejadas para ensinar um determinado conteúdo sem ter um produto final. Sua duração varia de dias a semanas e você pode elaborar várias seqüências ao longo do ano, de acordo com o planejado ou com a necessidade dos alunos detectada pelo caminho. É possível, inclusive, aplicar essa modalidade ao mesmo tempo em disciplinas diferentes. "O princípio da seqüência didática é dar ao aluno desafios cada vez maiores para que ele se desenvolva", afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac) e do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. Por exemplo: você quer que seus alunos aprendam o uso do "r" e do "rr". Primeiro observa o que eles já sabem a respeito e depois elabora uma série de aulas com várias atividades, jogos, questionamentos e muita reflexão, aumentando gradativamente a complexidade dos desafios propostos. Com esse tipo de abordagem, os alunos vão, aos poucos, percebendo que não existem palavras que começam com "rr" ou que não se usa "rr" após o "s", por exemplo. A seqüência didática é indicada, ainda, quando se quer trabalhar o universo de um determinado autor. "Além de ler suas obras, as crianças verão nessas aulas o que o autor escreve, que livros já publicou e qual o seu estilo", diz Regina. Se a idéia é trabalhar as diferentes versões da história do Pinóquio, outra seqüência pode ser estabelecida: leitura feita pelo professor do original e de uma segunda versão, leitura e reescrita em grupos de trechos de outras versões e a exibição de um filme sobre o personagem. Trabalhando dessa forma, os conteúdos se distribuem de maneira intencional e mais consistente.
8. Temas transversais: o pano de fundo do trabalho da escola
Temas transversais não são disciplinas, apenas permeiam todas elas. Se a escola decide abordar ética de maneira transversal, não pode estipular uma aula sobre o assunto uma vez por semana e esquecer dela no restante dos dias. "Esses temas precisam estar presentes em todas as disciplinas, o tempo todo, como pano de fundo do trabalho da escola", orienta Josca Baroukh, selecionadora do Prêmio Victor Civita. Segundo Josca, ao abordar os temas transversais, o professor leva os alunos a refletir para que eles tenham condições de construir conceitos, em vez de apenas coletar informações a respeito. "Caso contrário, é possível que os estudantes organizem uma coleta seletiva no bairro ou arrecadem alimentos para um asilo sem pensar no porquê de fazer aquilo", afirma. Se a escola propõe à garotada, por exemplo, mobilizar a população e a prefeitura da cidade para fazer um poço artesiano em benefício de uma comunidade que vive na seca, é preciso, antes da ação, uma reflexão profunda. O que é a seca? Que problemas ela traz? Um poço é a melhor solução para o momento? Há outras formas de contribuir? E, principalmente, por que devemos contribuir? Para Josca, não é apenas o conteúdo escolar que dá gancho a esse tipo de trabalho. "Uma notícia de jornal e até um conflito em sala de aula podem ser mote para reflexão. É um trabalho contínuo, que nem sempre depende do planejamento das aulas."
9. Tempo didático: para não errar na dose, é preciso ter objetivos claros
Muitas vezes é difícil definir quanto tempo será gasto para desenvolver um tema, uma atividade ou um projeto. Para não errar na medida, é fundamental ter em mente três pontos: o que você quer ensinar, como cada um de seus alunos aprende e como você irá acompanhar e avaliar o trabalho da garotada. "Se o tempo previsto der errado, é porque pelo menos um desses três itens não foi observado", afirma Regina Scarpa. Na prática, isso significa que você deve estabelecer, primeiramente, os objetivos e os conteúdos (seja para uma aula ou para um projeto mais longo). Depois, pensar nas atividades a ser desenvolvidas, baseando-se na maneira como seus alunos aprendem. Então, considerar que é preciso tempo para avaliar, constantemente, a produção da garotada e, dessa forma, saber se será necessário estender a abordagem de um ou outro conteúdo, sobre o qual as crianças apresentaram dificuldades. "É possível prever o tempo de um projeto, apesar dessas variações no meio do caminho", diz Regina. Por isso, é importante planejar o encerramento com certa antecedência em relação ao fim do bimestre ou do semestre. Se algum aluno não aprender, haverá uma folga. "Não faz sentido o professor fazer a revisão dos textos ou ilustrar um trabalho no lugar dos alunos porque o tempo acabou e é hora de concluir o projeto", diz Regina.
10. Inclusão: a escola leva o aluno com deficiência a avançar
Receber uma criança com deficiência não deve ser motivo de angústia. Cada vez mais a inclusão escolar tem sido discutida no meio educacional, e os professores hoje conseguem encontrar, em parceria com os pais, a coordenação da escola e os especialistas nas deficiências, caminhos seguros para trabalhar. "A escola serve para ampliar os conhecimentos dos estudantes. Por isso, o primeiro passo é procurar saber o que o aluno com deficiência já sabe e quais são as possibilidades que ele tem de aumentar esses conhecimentos", ressalta Maria Teresa Eglér Mantoan, da Universidade Estadual de Campinas. Procure descobrir como tem sido a experiência da criança, pesquisando seu histórico escolar e trocando informações com os pais e os professores das séries anteriores. Se ela estiver recebendo atendimento educacional especializado no contraturno em alguma instituição, é importante conversar com os especialistas ao longo de todo o ano para acompanhar seu desenvolvimento. Isso pode ajudar muito a planejar as aulas, definir estratégias e escolher os melhores materiais o que é bom não só para o aluno com deficiência mas para a turma toda. Se sua escola já oferece esse atendimento, a parceria com o professor especialista se dará de maneira ainda mais efetiva, pois o contato é diário. No caso de haver uma criança cega, esse profissional pode, por exemplo, ajudar você a elaborar materiais concretos para ensinar um conteúdo de Matemática (como figuras geométricas feitas em relevo, com tinta plástica ou sementes coladas no papel). "O professor deve receber essa criança como ele recebe todas as outras. Ela é, acima de tudo, um aprendiz", afirma Maria Teresa.
11. Matemática: interação entre os conteúdos é essencial
O melhor caminho para garantir o aprendizado da turma é relacionar os conteúdos matemáticos e mostrar como eles se complementam. Isso é o que dá significado ao estudo. Geralmente, os tópicos aparecem de forma fragmentada, como se não tivessem nenhuma ligação entre si. Na prática, é como ensinar multiplicação com o objetivo de fazer o aluno calcular mais rapidamente e de cabeça, sem fazer nenhuma relação com situações em que a operação é necessária. "O professor deve organizar os temas de forma que possam ser vistos como uma rede de significados", aponta Maria Sueli Cardoso, selecionadora do Prêmio Victor Civita. Por exemplo: em vez de pedir à turma apenas para calcular quanto é 2 x 4, é possível pedir para desenhar em um papel quadriculado duas colunas com quatro linhas. Assim todos perceberão que 2 x 4 é igual a 8 quadradinhos. Esse resultado significa também a área de um retângulo (com 2 unidades de altura e 4 de comprimento). Nesse tipo de atividade, estão relacionados multiplicação, figura geométrica e perímetro. "É sempre interessante que o aluno compreenda que um mesmo assunto pode ser estudado sob vários aspectos", diz Sueli.
12. Língua Portuguesa (1ªa 4ª): mais importância para a oralidade
Atividades de leitura e escrita aparecem muito nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Mas e a oralidade, onde fica? Para Eliane Mingues, selecionadora do Prêmio Victor Civita, é importante criar situações em que as crianças utilizem as três práticas. Elas podem elaborar uma coletânea de contos ou poemas; um livro de receitas; ou o encarte de um CD com as canções preferidas da turma. Para fazer a coletânea de poemas, por exemplo, a garotada tem que ler, selecionar, recitar e escrever as poesias. Essas situações ensinam a leitura e a escrita e também a oralidade, o que será útil para a vida dentro e fora da escola. "Alunos que não vivem situações de fala formal em sala de aula podem demorar mais para construir esse conhecimento", afirma. Surge, assim, a dificuldade em se expressar, elaborar apresentações e criar argumentos sobre o que pensam. O mesmo vale para a dificuldade em anotar, pesquisar e resumir. "Quando as crianças já estão alfabetizadas, pode-se focar em atividades que dão mais autonomia em relação à leitura e à escrita, como a entrevista", sugere Eliane. A atividade proporciona uma situação comunicativa em que os alunos precisam escrever um texto de gênero específico para leitores reais e que será publicado no mural ou boletim da escola.
13. Língua Portuguesa (5ªa 8ª): gramática como uma ferramenta
É importante não separar o estudo das regras da língua da leitura e produção escrita. "A reflexão sobre os mecanismos da língua produz um aprendizado mais consistente quando é feita misturada ao ler e escrever", afirma o selecionador do Prêmio Victor Civita Ricardo Barreto. Para envolver a garotada no ensino da gramática, um bom caminho é associá-la a situações concretas. Transformar um texto formal em coloquial, comparando as palavras e as estruturas que foram alteradas, é um bom exercício. Escrever uma reclamação a uma autoridade e, em seguida, contar o fato a um amigo, também por carta, é outra
opção. "A idéia é levar o aluno a perceber as possibilidades da língua sem ter de decorar regras", diz Barreto. Ele destaca mais uma estratégia: fazer os estudantes pesquisarem as diferenças entre textos de diversos gêneros, como o de divulgação científica, a crônica e a notícia. Durante a leitura, eles acabarão comparando os elementos gramaticais utilizados em cada um. "Por fim, o professor pode solicitar ao aluno que escreva sobre o que aprendeu. Essa prática também estimula a reflexão sobre a língua."
14. Língua Estrangeira: as palavras precisam de contexto
Ninguém esquece sua língua materna quando aprende uma língua estrangeira. O que acontece é bem o contrário: quanto mais o aluno utiliza o conhecimento que adquiriu em sua vivência e sobre o próprio idioma, melhor entende uma segunda língua. Por exemplo: certa vez uma empresa lançou uma campanha publicitária com o slogan Put a tiger in your tank. "Para entender a mensagem, não basta saber o significado de cada palavra. É preciso conhecer uma série de elementos prévios", afirma a selecionadora do Prêmio Victor Civita Celina Bruniera. "Ajuda, por exemplo, conhecer as características do texto publicitário e saber que o tigre representa força e agilidade e que é o símbolo de uma distribuidora de combustível." Outro exemplo: lendo a palavra engaged isolada, o aluno terá mais dificuldade de entender seu sentido do que se vê-la na fechadura da porta de um banheiro público. "Se disserem a ele que, ao girar a fechadura, a palavra desaparece e, em seu lugar, surge vacant, será mais fácil concluir que vacant significa vago e engaged ocupado." Celina ressalta, no entanto, que, ao tentar tornar o ensino interessante, muitos professores se esquecem dos gêneros textuais e abusam de atividades lúdicas sem contextualização. Disso surgem palavras cruzadas e joguinhos que só ajudam a decorar palavras.
15. História: de olho no presente para transformar o futuro
Estudar história local com a turma é uma prática muito comum e pode ser uma experiência importante e enriquecedora desde que o resultado não se torne uma mera coletânea de curiosidades, hábitos e causos sobre o lugar e seus moradores. Por isso, ao pensar nos conteúdos que serão abordados durante o ano, é preciso levar em conta as respostas para algumas perguntas que você deve fazer a si mesmo: posso com isso contribuir para transformar minha região? Em que esse assunto ajudará meu aluno em sua vida diária e no seu processo de formação como cidadão? Como fazer com que ele tenha uma aprendizagem significativa? "Em cada contexto social, político e geográfico as respostas são diferentes. Portanto, só o professor tem reais condições de respondê-las e de formular as melhores propostas didáticas", diz o selecionador do Prêmio Victor Civita Daniel Helene. "O importante é levar os alunos a enxergar a realidade com um olhar crítico." No norte do Maranhão, por exemplo, algumas empresas usam mão-de-obra infantil. Por que não estudar a história local para compreender essa problemática? Em alguns municípios de Rondônia, na fronteira com a Bolívia, muitos estudantes discriminam os colegas vindos do país vizinho. Estudar a formação dessas cidades é um caminho para combater o preconceito. Ações como essas, baseadas em problemas que exigem solução imediata, tornam o ensino de História dinâmico.
16. Geografia: ela não está só nos mapas, mas também no cotidiano
Para que essa disciplina faça sentido desde a Educação Infantil, uma boa seqüência de conteúdos é fundamental. Caso contrário, conceitos como ordem, hierarquia e proporção — importantes para a área — não serão assimilados pelas crianças. Segundo Sueli Furlan, selecionadora do Prêmio Victor Civita, as primeiras noções de Geografia são adquiridas ainda na pré-escola. Para que a criança aprenda cartografia, por exemplo, deve-se partir do conhecimento prévio que cada uma delas possui. "Para calcular uma distância, os alunos podem usar objetos de diferentes tamanhos, passadas, o palmo ou um barbante", exemplifica. Dessa forma, ao chegar à 1ª série, eles já adquiriram conhecimento sobre espacialidade e hierarquia. Daí em diante, brincadeiras e jogos ajudam. No futebol, conhecer as posições dos jogadores faz a turma assimilar noções de perto, longe, ao lado, fora, dentro e lateral direita e esquerda. De 5ª a 8ª série, é hora de usar os mapas como fonte de informação para o estudo do mundo em que vivemos. Os alunos devem estudar como se produz a cartografia, quais são suas fontes de informação e qual o papel das cores, dos números e dos símbolos nos mapas.
17. Educação Infantil: o segredo é a autoconfiança do professor
Ouve-se muito que o professor de creche e de pré-escola não pode ser autoritário e que deve se basear no interesse da turma. Mas o verdadeiro responsável pela definição dos temas e das atividades a ser desenvolvidas é ele mesmo. Deixar a cargo dos alunos essa escolha não é sinônimo de liberdade nem demonstra uma postura pedagógica avançada. "O professor precisa conhecer o modo como as crianças aprendem e como se desenvolvem e levar isso em conta na hora de planejar cada aula", afirma a selecionadora do Prêmio Victor Civita Regina Gomes Sodré. Segundo ela, deve-se compartilhar com as crianças algumas etapas do trabalho — pois isso também ensina a estudar e a planejar —, mas sem deixar que elas tomem todas as decisões. Na construção de uma maquete, por exemplo, vale uma conversa com os alunos sobre o material a ser utilizado e sobre o que será representado, além de fazer com eles um cronograma, que será utilizado ao longo do trabalho. Esta é a melhor maneira de envolver as crianças e garantir o interesse pela aula: escolher temas adequados à faixa etária, que sejam relevantes do ponto de vista cultural, estejam relacionados ao local em que a escola está inserida e sejam propostos de forma instigante.
18. Educação Física: o programa vai além do conteúdo esportivo
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), as aulas de Educação Física devem trazer discussões sobre assuntos como ética, cidadania, respeito às diferenças e cooperação. O cuidado constante com essas questões é essencial e se aplica até mesmo durante um campeonato de futebol. Sempre os escolhidos para formar os times são os mais hábeis e competitivos. Ficam para trás aqueles que, por algum motivo, têm dificuldade para jogar. "Cabe ao professor discutir o problema claramente e perguntar por que foi escolhido este e não aquele aluno", afirma Paulo Henrique Nilo Monteiro, selecionador do Prêmio Victor Civita. "Essas respostas vão permitir a ele trabalhar a questão das diferenças, que não se restringem às habilidades físicas, mas que são também socioeconômicas e culturais." Discussões desse tipo podem fazer parte da vivência diária dos alunos. "Não adianta apenas falar sobre as diferenças e continuar propondo somente atividades clássicas, como os jogos esportivos", afirma Monteiro. Para ele, uma boa alternativa é trabalhar com os chamados jogos cooperativos, em que são valorizados elementos como aceitação, envolvimento, colaboração e diversão. "Joga-se com o outro e não contra o outro. Para alcançar os objetivos é preciso esforço e dedicação."
19. Ciências: sem a dúvida, a turma não avança no conhecimento
"A dúvida é, por excelência, o motor da ciência", afirma Maria Terezinha Figueiredo, selecionadora do Prêmio Victor Civita. "O questionamento deve fazer parte da aula do início ao fim." Em classe, enquanto os assuntos são trabalhados, você pode estimular os alunos a fazer também suas perguntas. Ao estudar a fotossíntese acompanhando a germinação de alguns feijões, por exemplo, experimente questionar a turma: o que tem dentro da semente? Por que comemos feijão? "Quando o professor estimula o aluno a elaborar perguntas, está instigando sua capacidade de enxergar o feijão de um jeito diferente do que é apresentado ali", afirma. A dúvida leva a criança a uma ação investigativa sobre o problema, aproximando-a do conhecimento. "Sem reflexão e investigação, a ciência não progride. Como pesquisar se não há algo a descobrir?", indaga Maria Terezinha. Ao se questionar, a criança verá que há inúmeras coisas que a ciência ainda não desvendou. "O professor precisa mostrar que muitos conceitos hoje aceitos são passíveis de mudança, pois a ciência é dinâmica."
20. Artes: uma disciplina que também se ensina e se aprende
As aulas de Artes não dependem do talento ou da sensibilidade dos alunos. A disciplina funciona como qualquer outra: existe um conteúdo, que pode ser ensinado — e aprendido por todos. Segundo a consultora Zá Marisa Szpigel, de São Paulo, um bom caminho é mesclar a visão tradicional do ensino da matéria (em que o estudante baseia seu trabalho em modelos já prontos) com a menos convencional (em que o professor valoriza a espontaneidade da criança para criar). Com base nessa interação, o professor propõe modelos e também cria situações para que o aluno utilize as próprias idéias para transformar as referências que possui. Ele pode, por exemplo, apresentar uma pintura famosa como referência. Ao pintar, a criança não deve, no entanto, fazer uma cópia fiel ou dominar as mesmas técnicas que o artista. O que vale é a criatividade. O aluno define quais materiais usar, se prefere trabalhar sozinho ou em grupo e quanto tempo necessita para as tarefas. Essas oficinas dão ao professor a chance de apresentar os conteúdos e ao mesmo tempo explorar as capacidades dos alunos sem cobrar deles uma produção artística primorosa. Todos têm a mesma oportunidade de criar, a seu modo, sem ser comparados. "Ao propor ao aluno desenhar uma paisagem, não se deve dizer de que modo ele fará isso ou que tom de verde usará na grama"

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O EJA


É a uma oportunidade para o aluno conquistar sua autonomia, diminuindo, assim, as desigualdades sociais e aumentando as chances de participação política - social através de uma consciência crítica.

A escola é um espaço que educa também por meio da maneira como ela mesma funciona



•Reorganizar um cronograma de aulas ajustado a disponibilidade dos alunos. •Organizar os dias de horários das disciplinas de acordo as necessidades da turma. •Visita dos gestores a casa daqueles que faltam para convencê-los a voltar. •Reservar uma sala de brinquedos para os filhos e dar lanche para que as mães possam estudar tranqüilas. Servir merenda antes das aulas com refeições reforçadas. Bem alimentadas tem mais disposição para se concentrar nos estudos e não chegam atrasados •Flexibilizar o horário de entrada na sala de aula •Datar com alternativas as provas quando os alunos não puderem ir por motivos de trabalho •Incorporar atividades relacionadas á arte e a cultura principalmente com os alunosmais velhos que geralmente tem mais proximidade com a cultura popular. •Utilizar linguagens alternativas como: a música, o cordel, o teatro. •Criar competição saudável para estimular a produção de textos (prosa e poesia) com rodas e saraus literários •Realizar festivais para incentivar a produção musical trabalhar temáticas do cotidiano ás disciplinas.


Algumas iniciativas para acabar com o abandono do EJA


1.Uso de variadas linguagens 2.Reorganização do tempo 3.Currículo contextualizado 4.Articulação com empresas parceiras 5.Atendimento aos filhos 6.Atendimento individual 7.Acolhimento e merenda.


EJA (Educação de Jovens e Adultos)



Manter uma relação próxima e amistosa ajuda a evitar a evasão