OS ALUNOS DO TURNO VESPERTINO, TRABALHARAM DURO JUNTAMENTE COM OS PROFESSORES, NA CONSTRUÇÃO DA HORTA DA ESCOLA. ALGUNS ALUNOS TROUXERAM FESES DE ANIMAIS COMO: BODE E BOI E TAMBEM DE FOLHAS DE ARVORES. AGORA SÓ FALTA SEMEAR PARA AS PLANTAS BROTAREM.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
A MOTIVAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO PROFESSOR
Ana Maria Simas Gaia Machado
Este artigo é resultado de observações feitas no momento do curso de pós-graduação, em metodologia do ensino superior, e trata da importância das relações interpessoais no cotidiano educacional do educador, resgatando a motivação e afetividade, atitudes essenciais para uma educação eficaz. A educação não pode ser vista como um dispositivo de informação, pois há muitas formas de transmitir o conhecimento, mas o ato de educar só se dá com afeto, só se completa com amor, para isso acontecer o educador precisa amar o que faz. O artigo apresenta uma perspectiva do educador na atual modernidade voltado para a motivação. O artigo é de cunho bibliográfico, com abordagem qualitativa e observação, dentro de uma visão humanística, para assim conhecermos melhor a realidade pesquisada.
Palavras-chaves: Professores. Motivação. Afetividade. Modernidade. Educação.
INTRODUÇÃO
Este artigo trata da importância das relações interpessoais do professor, resgatando a motivação e afetividade, atitudes essenciais para uma educação eficaz. Teoricamente será mantido dialogo com Chalita (2001) Augusto Cury (2004) Chiavenato (1990), Fleury (1983) e Libâneo (2004), a fim de fundamentar as idéias apresentadas. O artigo apresenta uma perspectiva acerca do professor educador na atual modernidade voltado para a motivação e a afetividade.
Falar sobre a educação é um desafio. A tentativa que ora se faz não é apresentar soluções revolucionários sobre o assunto. Trata-se apenas de uma reflexão sobre o aspecto da necessidade de resgatarmos o relacionamento interpessoal na escola. A educação não pode ser vista apenas como transmissão de conhecimento, o verdadeiro ato de educar está no afeto.
Muita são as formas de ensinar, no entanto vamos destacar a educação pela motivação e afetividade, então entre os tópicos que estaremos apresentando então: A motivação e o profissional da educação; A motivação do professor e sua auto-realização.
A MOTIVAÇÃO E O PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO
A motivação envolve um conjunto de fatores que determinam à atividade e a conduta individual. O educador motivado participa ativamente age com interessa no ambiente escolar. A afetividade significa aquele que tem afeto.
O educador que ama o que faz age com amor, amizade e afeição em suas relações interpessoais. Segundo afirma Chiavenato (1990. p.22) motivação é: "tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma, ou, pelo menos, que dá origem a uma propensão, a um comportamento específico". Com isso, entende-se que a motivação é intrínseca ao ser humano, e que, através de estímulos pode-se trabalhar para que o professor tenha um melhor desenvolvimento na sua prática pedagógica.
Logo entendemos que é a partir da necessidade que vem a motivação. Não vai adiantar tentar motivar um professor se ele estiver decidido que não vai mais educar, por mais que os coordenadores, gestores esforçarem, nada irá motivá-lo. Nesse caso o professor só será motivado a educar quando sentir a necessidade de auto-realização, ou seja, sentir o desejo de crescer na vida, ser um grande profissional.
De acordo com a teoria de acordo com a Hierarquia das necessidades (MASLOW, A.1970, apud, SERRANO, 2003) as necessidades mais básicas devem ser satisfeitas primeiramente para que depois as demais possam surgir e serem por sua vez, satisfeitas também. Isto quer dizer que os motivos superiores surgem somente após satisfação de todos os motivos básicos.
Para Maslow (apud, SERRANO, 2003) o comportamento motivacional, é explicado pelas necessidades dos seres humanos. Podemos concluir então que a motivação é o resultado dos incentivos que age com uma certa força sobre os indivíduos, fazendo-os agir. Para que tenha ação é necessário que um estímulo seja implementado para surgir a partir de coisas externas ou até mesmo provenientes do próprio organismo.
A teoria de Maslow (apud, SERRANO, 2003), é considerada como uma das mais importantes dentro da teoria da motivação. As necessidades humanas obedecem a uma hierarquia, ou seja, uma escala de valores a serem transpostas. Assim que o indivíduo realiza uma necessidade surgem outras em seu lugar, exigindo sempre que busque outro meio para satisfazê-la. Nenhum indivíduo buscará reconhecimento pessoal e status, sem antes satisfazer as necessidades mais básicas.
Segundo Maslow (apud, SERRANO, 2003), os motivos do comportamento humano estão classificados, seguindo a estrutura de uma pirâmide:
Baseando-se na teoria de Maslow (apud, SERRANO, 2003) classificamos os motivos abaixo de acordo com as necessidade que os educadores precisam dispor na sala de aula para estarem se auto-realizando:
As necessidades fisiológicas - é a mais básica, trata-se da parte física de nosso corpo, sustenta o organismo. Ex.: comida, abrigo, etc. Um aluno mal alimentado e sem moradia não terá condições de aprender. Enquanto essas necessidades estiverem insatisfeitas, as outras necessidades não poderão motivar o aluno.
Necessidade de segurança – o aluno terá que se sentir seguro em um ambiente de otimismo livre de qualquer perigo ou perda de qualquer coisa (os pais separarem ou falecer). O aluno passará por dificuldades na aprendizagem. Terá que solucionar este problema para obter um bom desempenho.
Necessidades de afetos sociais – é o desejo que temos da aprovação social, no caso dos alunos é de ser aceito pelos professores, colegas de sala sem ser discriminado, enfim evitar todos os tipos de reprovações.
Necessidade de auto-estima – é o desejo que leva o aluno sentir necessidade de ser estimado, de ser respeitado como pessoa e acima de tudo ser prestigiado.
Necessidade de auto-realização – é a mais alta necessidade na hierarquia de Maslow. É o desejo de alcançar um objetivo, no caso do aluno, estudar para chegar a faculdade e tornar-se um grande profissional para conseguir tudo que for possível.
Conforme observemos a pirâmide vemos que o comportamento humano depende de vários incentivos para se manter, ou seja, precisa satisfazer as necessidades que seguem numa determinada seqüência, uma depende da outra. No entanto para que o educador esteja motivado, é necessário que ele satisfaça todas as suas necessidades para se auto realizar.
Logo diante deste contexto temos educadores que atuam nas escolas ou universidades e ingressam através de concurso público, depois de classificados, foram lotados em alguma instituição de ensino e, muitos desses profissionais atuam desde a fundação da instituição.
Quanto à formação acadêmica, cerca de 100% dos professores cursaram ou cursam o ensino superior, mestrado ou doutorado, estando “capacitados” a atuar na educação, infelizmente o profissional da educação não é valorizados, no que diz respeito à melhoria salarial e condições de trabalho, e com isso tornam-se profissionais desmotivados, pois dentro dessa realidade temos educadores que trabalham três turnos, logo em algum momento os alunos serão sacrificados, ou por cansaço ou por financeiro.
Existe um outro questionamento a cerca do educador, percebemos que são cobrados com freqüência na sua formação, porém são mau remunerados, o que é um fato na nossa educação, o professor ser um mero profissional, acreditamos enquanto alunos que os nossos mestre devem ser altamente remunerados, para que haja um outro desempenho e assim estarão buscando a capacitação constantemente.
A boa vontade, a disposição de enfrentar dificuldades para aprender um pouquinho tendo por perspectiva uma remuneração indigna, torna esse professor um herói [...] Não se pode admitir que os ensinos sejam administrados por pessoas despreparadas e mal pagos. (CHALITA, 2001, p.62).
A grande parte dos educadores enfatiza essa questão salarial como injusta, pois cobram muito do educador e pouco se faz, para que o mesmo tenha condições de realizar suas atividades educacionais tranqüilas sem se preocupar em deslocar-se de uma instituição para outra. Desprovidos muitas vezes de recursos didáticos, onde há má vontade e falta de estimulo do sistema e das autoridades componentes, até mesmo incompreensão dos alunos e pais, que lançam em cima da instituição e dos professores a culpa de todos os problemas sociais.
O desempenho do educador depende do perfil do seu gestor da coordenação, se ele for um gestor ou coordenador com concepção democrático-participativo desenvolverá ações e competências profissionais participativas, deixando o educador agir com o seus alunos de forma interativa e dialogada. Essas capacidades envolvem um conjunto de habilidades que são: bom relacionamento com os colegas, disposição colaborativa, saber expressar-se e argumentar com propriedade, saber ouvir, compartilhar interesses e motivações.
Acreditar nas relações interpessoais é um bem essencial para uma gestão democrática participativa. A construção deste relacionamento não acontece com facilidade no meio profissional, principalmente na área educacional por ser uma classe desunida, como afirma Libâneo ( 2004, 102):
A participação é o principal meio de assegurar a gestão democrática na escola, possibilitando o envolvimento dos profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar.
A participação proporciona um melhor entendimento das metas e objetivos que a estrutura organizacional deseja alcançar e possibilita uma dinâmica de relações da instituição educacional com a comunidade, favorecendo uma aproximação entre educadores, alunos e pais.
Um trabalho de equipe só funciona quando todos os membros da instituição apreendem determinadas competências: capacidade de comunicação, habilidades de trabalhar em grupo, capacidade de argumentação, formas criativas de enfrentar problemas e situações complicadas. A autonomia opõe-se ás formas autoritárias de tomada decisão, o modelo de uma gestão democrática é quando todas as pessoas envolvidas trabalham juntas, de forma colaborativa e solidária, visando á formação e aprendizagem dos alunos.
Viver uma relação interpessoal nas diversas esferas da vida, aceitando as suas diferenças e saber lidar com elas é um bem necessário ao sucesso de qualquer atividade humana. Entende-se que para que haja uma vida motivada precisa que sejam seguidos alguns passos: Querer Mudar, estabelecer metas, planejar, não desista, acreditar em você, parar de adiar tudo.
Acreditar no potencial dos professores e saber como desenvolve-los é um dos maiores desafios na área educacional. Como o coordenador motiva o corpo docente, como busca a auto-motivação, como desperta o talento que cada professor possui e esta adormecido?
O que se pretende aqui é despertar o educador para o fato de que a excelência em educação é alcançada por pequenas ações em seu dia-a-dia. Novos hábitos podem ajudar a resgatar a motivação e a afetividade que esta adormecida no contexto educacional. Afinal, o que é motivação? Para Cury (2004) “E fazer com o coração. É acreditar no motivo e na importância daquilo que está sendo feito”.
Quantos desafios o professor enfrenta no interior da sala de aula? Libâneo (2004) diz que:
Pode se reduzir basicamente em ajudar o educando a prender em todos os aspectos, isto é, na aquisição e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, hábitos, atitudes, valores, idéias ou qualquer tipo de aprendizagem ainda não desenvolvida e julgada importante e necessária para o educando tanto pessoal como socialmente.
Estes desafios são alcançados quando o relacionamento professor-aluno é significativo para o educando, logo, a eficácia do processo educativo centra-se no professor, nos seus conhecimentos, suas habilidades, atitudes e motivação. Muitos fatores são essenciais para a motivação dos professores, alunos, supervisores e comunidade geral, tais como: trabalhar em um ambiente agradável, obter boas relações interpessoais, receber elogios.
Mas o fator fundamental e impulsionador de todos os outros é “Fazer o que gosta e com amor”. Esta é a chave da motivação que está intrínseca no ser humano, como a capacidade de andar. O que ocorre é que essa capacidade, às vezes, fica adormecida e, por isso, não cumpre seu papel.
No meio educacional existem muitos educadores adormecidos (sem motivação). As causas são inúmeras, tais como: salário baixo, má comunicação, falta de afetividade, ambiente educacional que não agrada ou não gosta do que faz. Um professor que é bem acolhido no grupo e local de trabalho, que está com todas as questões acima citadas resolvidas, consegue relaciona-se bem com a comunidade escolar e tem motivação para efetuar sua atividade docente de forma eficaz.
No ambiente educacional, faz-se necessário que o gestor ou coordenador descubra, invente, crie maneiras de valorizar diferenças existentes, pois, é preciso valores fortes que levem a aceitar, respeitar e tornar significativo o trabalho de todos na instituição. É necessário construir relações interpessoais dentro da instituição, as pessoas do ambiente educacional devem se conhecer, se falar, se olhar. Isto é a verdadeira integração entre professores, alunos, gestão e coordenação.
Uma atitude que contribui para ocorrer afetividade é o elogio, tônico que revigora o ego, reabilita o profissional e o torna capaz de superar as dificuldades do cotidiano pessoal. O elogio tem o poder de aproximar pessoas e, sobretudo, de estabelecer um clima positivo de confiança entre aluno/professor, professor/gestor ou coordenador. Outro aspecto importante é a comunicação, sem ela ficamos isolados, vazios e sem motivação.
A comunicação é absolutamente essencial para uma ação pedagógica eficaz. Os gestores devem ser capazes de compartilhar conhecimento e idéias claras aos seus profissionais, para transmitir uma sensação de urgência e entusiasmos a passar uma mensagem com clareza, fica difícil a relação professor/supervisor, porque o sucesso no trabalho e nos relacionamentos pessoais depende muito da comunicação.
Nas instituições de ensino, certas tarefas são realizadas por outras pessoas, portanto o gestor, coordenador ou pessoas que estão na liderança devem ter habilidade de inspirar e motivar, guiar e orientar, e também ouvir, porque somente por meio da comunicação é que a liderança pode motivar outros a assimilarem sua visão e colocá-la em prática.
A comunicação entre todos os elementos que compõe a vida da comunidade educacional possibilita o crescimento da consciência de que cada membro do quadro profissional é responsável pelo clima positivo de bem-querer e de confiança estabelecido entre os educadores na instituição. O fato de bem comunicar atribui a todos um sentimento de importância, participação, de comprometimento, tornando-se uma arte de construir relacionamentos.
A comunicação é uma das formas que caracterizam a ação democrática da coordenação pedagógica. Essa ação dá ao grupo a oportunidade de crescimento, de criatividade, de liberdade de expressão. O grupo de educadores que pauta seu trabalho num relacionamento mais afetivo, dialógico tende a traçar metas, objetivos comuns que possibilitam ampliar uma ação eficaz na instituição educacional. “Você não pode estimular as pessoas à ação a menos que primeiro as estimule com a emoção. O coração em primeiro lugar, depois a cabeça”. (CURY, 2004).
Uma instituição educacional, para ser motivada precisa ter um vínculo especial com toda equipe de colaboradores, traçando assim relacionamentos entre os educadores, pais, alunos e comunidade. Os professores serão altamente motivados e produtivos, trabalharão com os alunos de forma competente e eficaz.
O educador é um estilista de almas, um embelezador de vidas. O escritor e educador. Cury (2003, p. 57-81) escreveu em seu livro: Pais Brilhantes Professores fascinantes, sete hábitos que fazem do professor um ser fascinante. Dentre os sete, hábitos, destaca-se: “Bons professores educam a inteligência lógica, professores fascinantes educam a emoção”.
Educar a emoção é pensar antes de agir, não tem medo, ser líder de si mesmo, autor de sua história, saber filtrar os estímulos estressantes e trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida.
Assim uma instituição educacional, ideal necessita de educadores que eduquem com emoção, motivação e afetividade. Professores competentes e eficazes possuem mais sensibilidades do que metodologia, mais emoção do que lógica, mas exemplos do que argumentos. É por essa razão que é preciso resgatar a motivação e a afetividade no meio educacional, porque só assim se constroem professores e alunos fascinantes e inesquecíveis.
Esse clima de afetividade trará resultados extraordinários na melhoria da qualidade do ensino, professores mais satisfeitos dentro da sua profissão, alunos mais comprometidos com o processo de ensino e aprendizagem. Todos serão motivados pelo afeto.
A MOTIVAÇÃO DO PROFESSOR E SUA AUTO-REALIZAÇÃO
Atualmente estamos na Sociedade do Conhecimento. A terceira mudança, que foi provocada pela revolução da informação, tornou a sociedade mais democrática e participativa. As relações entre pais e filhos, empregados e empregadores tendem a ser de colaboração e parceria. A Sociedade do Conhecimento tem como símbolo o computador. A educação torna-se heterogênea e diversificada, pois o mercado de trabalho exige profissionais altamente qualificados com um nível educacional cada vez mais alto. Como diz Ramos (2002, p.4) “A atividade cerebral é a grande empregadora”.
Sabendo que o homem é um ser auto-realizador por natureza e, por conseguinte, em aprendizagem e crescimento contínuos, o professor deve motivar-se a si mesmo para se conectar com esse crescimento permanente e facilitar sua aceitação em classe por parte de seus alunos. A empatia e a aceitação mútua devem formar a base de uma relação aberta, tolerante e compreensiva entre professor e alunos.
Os sentimentos e emoções são próprios de cada pessoa, e correspondem ao grau de desenvolvimento individual e ao meio em que cada um foi criado e ao ambiente em que vive. Parte do trabalho para a consecução de relações efetivas em sala de aula consiste em aceitar essa realidade sem juízos limitantes, frustrações, irritação, medos, ressentimentos, culpa, etc. A relação professor/aluno deve, e pode ser uma relação de colaboração e apoio mútuo para o desenvolvimento de cada um. Precisa basear-se no respeito, dignidade, integridade, capacidade, abertura, amor, compaixão.
A baixa auto-estima do professor interfere no comportamento dos alunos. O professor com segurança, auto-conceito, integração, motivação e competência, não tem, em geral, problemas de disciplina. Voli (1998, p.147) afirma que:
A projeção que o professor envia de si mesmo à classe é recebida por seus alunos, que por sua vez vão se sentindo seguros, reforçados em seu próprio auto-conceito, partes integrantes do grupo, motivados a aprender e conscientes de sua capacidade de fazê-lo. Sua projeção motiva seus alunos a entrar por si mesmos em uma situação de auto-estima e, portanto, de autodisciplina, auto-responsabilidade e auto-realização.
Logo entendemos que a motivação deve ser estimulada para que o potencial de cada indivíduo possa fluir, considerando tanto a facilidade quanto á dificuldade para aprender. A motivação é o processo que mobiliza o organismo para a ação a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, à necessidade e o objetivo de satisfação. Portanto, para Voli (1998, p. 18), “a motivação relaciona-se intimamente com a personalidade do ser humano e com seu desenvolvimento mental, emocional, profissional e social”.
Sabe-se que o homem sente-se bem quando está em equilíbrio consigo mesmo e com o meio no qual está inserido. O equilíbrio traz satisfação; o desequilíbrio, tensão, pois em determinados aspectos a vida, o equilíbrio pode ser rompido gerando o desequilíbrio, principalmente o emocional.
Na realidade educacional, a motivação é vista como algo muito importante para que o profissional da área desenvolva seu trabalho de forma satisfatória, no entanto são poucas as vezes que um profissional recebe algum tipo de incentivo e motivação. Devido a tantas dificuldades, observam-se profissionais exaustos e sem estimulo para continuar seu trabalho de forma satisfatória.
Sabendo-se que a motivação é um problema complexo, dinâmico, mutável e fluido. Seus fatores humanos exibem forças diversas, tanto em pessoas e situações em épocas distintas.
O que é bom hoje poderá ser contraproducente amanhã, dependendo da personalidade do individuo e da situação. A motivação constitui o fator principal e decisivo no êxito da ação de todos e qualquer individuo ou empreendimento coletivo. Por isso, não se compreende um supervisor insensível ao problema da motivação.
A falta de assistência ao professor quanto ao seu desempenho em sala de aula é considerado uma das importantes causas do embaraço do processo educativo. Portanto, parece imprescindível ao professor uma assistência sistemática, no sentido de melhoria no desempenho de suas atribuições. Observou-se durante o estudo do campo que a atuação de coordenadores não funcionava de forma compartilhada com os professores, ou seja, não havia manifestações de incentivos e contribuição para melhoria do processo ensino aprendizagem, deixavam-se transparecer bastante desmotivados para tal pratica.
CONCLUSÃO
Este artigo procurou mostrar como o relacionamento é importante para desenvolver uma educação eficaz. As observações e alguns princípios norteadores foram de fundamental importância para a construção deste artigo, como o reconhecimento de que precisamos estar motivados depende dos desafios que temos para enfrentar.
Quanto maior for o desafio, mais motivados ficamos, por isso é preciso fazer o que gostamos. Esta é a chave da motivação. Precisamos de um relacionamento autentico cada um se interessando pelo outro de maneira genuína. Os direitos individuais terão que ser defendidos e respeitados, não podendo ser barganhados. A tarefa num relacionamento e proteger os direitos das pessoas nele envolvidos.
No ambiente educacional, faz-se necessário que tanto gestores, coordenadores e professores, de modo geral descubram, inventem criem maneiras de valorizar construtivamente as diferenças existentes.
É inegável que a motivação é essencial para toda e qualquer atividade humana. Em particular, do ponto de vista do educador, não é possível afirmar que um determinado sujeito esteja motivado para aprender algo, sem que o primeiro tenha sido capaz de identificar, no segundo, um certo grau de consciência do valor do aprendizado e do crescimento intelectual
Entendemos não ser possível ao educador satisfazer todas as necessidades de seus alunos, mas, no momento em que se dispõe a ser um dinamizador do processo ensino-aprendizagem, faz-se necessário que lance mão desse importante fator que é a motivação, a fim de lograr êxito e satisfação, tanto para si quanto para os estudantes.
Estando o professor motivado a desenvolver em seus alunos a capacidade de aprender, certamente os motivará na busca de novos conhecimentos, e estará criando condições mais favoráveis à aprendizagem. A motivação de ambos, alunos e mestres, está tão imbricada que é impossível tratar de uma sem abordar a outra. Podemos ir um pouco além e afirmar que a realização da aprendizagem, muito mais do que uma mera recompensa, é essencial na construção de um processo continuado de motivação-aprendizado, no qual o aluno se motiva cada vez mais a aprender mais.
É urgente que as relações entre os membros que compõem os ambientes educacionais estejam permeadas pelo afeto, assim com certeza construiremos um novo modo de nos relacionarmos. Hoje, saber relacionar-se é uma arte.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, Celso. A criatividade na sala de aula, fascículo 14. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
CHALITA, Gabriel Benedito Isaac. Educação: a solução está no afeto, São Paulo: Gente, 2001.
CURY, Augusto Jorge. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, 4 ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 1990.
LIBÂNEO, José. Organização e Gestão da escola: teoria e prática. 5 ed. Revista e ampliada. Goiânia: Alternativa, 2004.
LUCK, Heloisa. Ação Integrada. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1981.
RAMOS, Cosete (2002). O despertar do gênio: aprendendo com o cérebro inteiro. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora,.
SERRANO, D. P. A teoria de Abraham Maslow: hierarquia das necessidades. 2003.
VOLI, Franco (1998). A auto-estima do professor: manual de reflexão e ação educativa. Trad. Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva. São Paulo: Edições Loyola.
Este artigo é resultado de observações feitas no momento do curso de pós-graduação, em metodologia do ensino superior, e trata da importância das relações interpessoais no cotidiano educacional do educador, resgatando a motivação e afetividade, atitudes essenciais para uma educação eficaz. A educação não pode ser vista como um dispositivo de informação, pois há muitas formas de transmitir o conhecimento, mas o ato de educar só se dá com afeto, só se completa com amor, para isso acontecer o educador precisa amar o que faz. O artigo apresenta uma perspectiva do educador na atual modernidade voltado para a motivação. O artigo é de cunho bibliográfico, com abordagem qualitativa e observação, dentro de uma visão humanística, para assim conhecermos melhor a realidade pesquisada.
Palavras-chaves: Professores. Motivação. Afetividade. Modernidade. Educação.
INTRODUÇÃO
Este artigo trata da importância das relações interpessoais do professor, resgatando a motivação e afetividade, atitudes essenciais para uma educação eficaz. Teoricamente será mantido dialogo com Chalita (2001) Augusto Cury (2004) Chiavenato (1990), Fleury (1983) e Libâneo (2004), a fim de fundamentar as idéias apresentadas. O artigo apresenta uma perspectiva acerca do professor educador na atual modernidade voltado para a motivação e a afetividade.
Falar sobre a educação é um desafio. A tentativa que ora se faz não é apresentar soluções revolucionários sobre o assunto. Trata-se apenas de uma reflexão sobre o aspecto da necessidade de resgatarmos o relacionamento interpessoal na escola. A educação não pode ser vista apenas como transmissão de conhecimento, o verdadeiro ato de educar está no afeto.
Muita são as formas de ensinar, no entanto vamos destacar a educação pela motivação e afetividade, então entre os tópicos que estaremos apresentando então: A motivação e o profissional da educação; A motivação do professor e sua auto-realização.
A MOTIVAÇÃO E O PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO
A motivação envolve um conjunto de fatores que determinam à atividade e a conduta individual. O educador motivado participa ativamente age com interessa no ambiente escolar. A afetividade significa aquele que tem afeto.
O educador que ama o que faz age com amor, amizade e afeição em suas relações interpessoais. Segundo afirma Chiavenato (1990. p.22) motivação é: "tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma, ou, pelo menos, que dá origem a uma propensão, a um comportamento específico". Com isso, entende-se que a motivação é intrínseca ao ser humano, e que, através de estímulos pode-se trabalhar para que o professor tenha um melhor desenvolvimento na sua prática pedagógica.
Logo entendemos que é a partir da necessidade que vem a motivação. Não vai adiantar tentar motivar um professor se ele estiver decidido que não vai mais educar, por mais que os coordenadores, gestores esforçarem, nada irá motivá-lo. Nesse caso o professor só será motivado a educar quando sentir a necessidade de auto-realização, ou seja, sentir o desejo de crescer na vida, ser um grande profissional.
De acordo com a teoria de acordo com a Hierarquia das necessidades (MASLOW, A.1970, apud, SERRANO, 2003) as necessidades mais básicas devem ser satisfeitas primeiramente para que depois as demais possam surgir e serem por sua vez, satisfeitas também. Isto quer dizer que os motivos superiores surgem somente após satisfação de todos os motivos básicos.
Para Maslow (apud, SERRANO, 2003) o comportamento motivacional, é explicado pelas necessidades dos seres humanos. Podemos concluir então que a motivação é o resultado dos incentivos que age com uma certa força sobre os indivíduos, fazendo-os agir. Para que tenha ação é necessário que um estímulo seja implementado para surgir a partir de coisas externas ou até mesmo provenientes do próprio organismo.
A teoria de Maslow (apud, SERRANO, 2003), é considerada como uma das mais importantes dentro da teoria da motivação. As necessidades humanas obedecem a uma hierarquia, ou seja, uma escala de valores a serem transpostas. Assim que o indivíduo realiza uma necessidade surgem outras em seu lugar, exigindo sempre que busque outro meio para satisfazê-la. Nenhum indivíduo buscará reconhecimento pessoal e status, sem antes satisfazer as necessidades mais básicas.
Segundo Maslow (apud, SERRANO, 2003), os motivos do comportamento humano estão classificados, seguindo a estrutura de uma pirâmide:
Baseando-se na teoria de Maslow (apud, SERRANO, 2003) classificamos os motivos abaixo de acordo com as necessidade que os educadores precisam dispor na sala de aula para estarem se auto-realizando:
As necessidades fisiológicas - é a mais básica, trata-se da parte física de nosso corpo, sustenta o organismo. Ex.: comida, abrigo, etc. Um aluno mal alimentado e sem moradia não terá condições de aprender. Enquanto essas necessidades estiverem insatisfeitas, as outras necessidades não poderão motivar o aluno.
Necessidade de segurança – o aluno terá que se sentir seguro em um ambiente de otimismo livre de qualquer perigo ou perda de qualquer coisa (os pais separarem ou falecer). O aluno passará por dificuldades na aprendizagem. Terá que solucionar este problema para obter um bom desempenho.
Necessidades de afetos sociais – é o desejo que temos da aprovação social, no caso dos alunos é de ser aceito pelos professores, colegas de sala sem ser discriminado, enfim evitar todos os tipos de reprovações.
Necessidade de auto-estima – é o desejo que leva o aluno sentir necessidade de ser estimado, de ser respeitado como pessoa e acima de tudo ser prestigiado.
Necessidade de auto-realização – é a mais alta necessidade na hierarquia de Maslow. É o desejo de alcançar um objetivo, no caso do aluno, estudar para chegar a faculdade e tornar-se um grande profissional para conseguir tudo que for possível.
Conforme observemos a pirâmide vemos que o comportamento humano depende de vários incentivos para se manter, ou seja, precisa satisfazer as necessidades que seguem numa determinada seqüência, uma depende da outra. No entanto para que o educador esteja motivado, é necessário que ele satisfaça todas as suas necessidades para se auto realizar.
Logo diante deste contexto temos educadores que atuam nas escolas ou universidades e ingressam através de concurso público, depois de classificados, foram lotados em alguma instituição de ensino e, muitos desses profissionais atuam desde a fundação da instituição.
Quanto à formação acadêmica, cerca de 100% dos professores cursaram ou cursam o ensino superior, mestrado ou doutorado, estando “capacitados” a atuar na educação, infelizmente o profissional da educação não é valorizados, no que diz respeito à melhoria salarial e condições de trabalho, e com isso tornam-se profissionais desmotivados, pois dentro dessa realidade temos educadores que trabalham três turnos, logo em algum momento os alunos serão sacrificados, ou por cansaço ou por financeiro.
Existe um outro questionamento a cerca do educador, percebemos que são cobrados com freqüência na sua formação, porém são mau remunerados, o que é um fato na nossa educação, o professor ser um mero profissional, acreditamos enquanto alunos que os nossos mestre devem ser altamente remunerados, para que haja um outro desempenho e assim estarão buscando a capacitação constantemente.
A boa vontade, a disposição de enfrentar dificuldades para aprender um pouquinho tendo por perspectiva uma remuneração indigna, torna esse professor um herói [...] Não se pode admitir que os ensinos sejam administrados por pessoas despreparadas e mal pagos. (CHALITA, 2001, p.62).
A grande parte dos educadores enfatiza essa questão salarial como injusta, pois cobram muito do educador e pouco se faz, para que o mesmo tenha condições de realizar suas atividades educacionais tranqüilas sem se preocupar em deslocar-se de uma instituição para outra. Desprovidos muitas vezes de recursos didáticos, onde há má vontade e falta de estimulo do sistema e das autoridades componentes, até mesmo incompreensão dos alunos e pais, que lançam em cima da instituição e dos professores a culpa de todos os problemas sociais.
O desempenho do educador depende do perfil do seu gestor da coordenação, se ele for um gestor ou coordenador com concepção democrático-participativo desenvolverá ações e competências profissionais participativas, deixando o educador agir com o seus alunos de forma interativa e dialogada. Essas capacidades envolvem um conjunto de habilidades que são: bom relacionamento com os colegas, disposição colaborativa, saber expressar-se e argumentar com propriedade, saber ouvir, compartilhar interesses e motivações.
Acreditar nas relações interpessoais é um bem essencial para uma gestão democrática participativa. A construção deste relacionamento não acontece com facilidade no meio profissional, principalmente na área educacional por ser uma classe desunida, como afirma Libâneo ( 2004, 102):
A participação é o principal meio de assegurar a gestão democrática na escola, possibilitando o envolvimento dos profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar.
A participação proporciona um melhor entendimento das metas e objetivos que a estrutura organizacional deseja alcançar e possibilita uma dinâmica de relações da instituição educacional com a comunidade, favorecendo uma aproximação entre educadores, alunos e pais.
Um trabalho de equipe só funciona quando todos os membros da instituição apreendem determinadas competências: capacidade de comunicação, habilidades de trabalhar em grupo, capacidade de argumentação, formas criativas de enfrentar problemas e situações complicadas. A autonomia opõe-se ás formas autoritárias de tomada decisão, o modelo de uma gestão democrática é quando todas as pessoas envolvidas trabalham juntas, de forma colaborativa e solidária, visando á formação e aprendizagem dos alunos.
Viver uma relação interpessoal nas diversas esferas da vida, aceitando as suas diferenças e saber lidar com elas é um bem necessário ao sucesso de qualquer atividade humana. Entende-se que para que haja uma vida motivada precisa que sejam seguidos alguns passos: Querer Mudar, estabelecer metas, planejar, não desista, acreditar em você, parar de adiar tudo.
Acreditar no potencial dos professores e saber como desenvolve-los é um dos maiores desafios na área educacional. Como o coordenador motiva o corpo docente, como busca a auto-motivação, como desperta o talento que cada professor possui e esta adormecido?
O que se pretende aqui é despertar o educador para o fato de que a excelência em educação é alcançada por pequenas ações em seu dia-a-dia. Novos hábitos podem ajudar a resgatar a motivação e a afetividade que esta adormecida no contexto educacional. Afinal, o que é motivação? Para Cury (2004) “E fazer com o coração. É acreditar no motivo e na importância daquilo que está sendo feito”.
Quantos desafios o professor enfrenta no interior da sala de aula? Libâneo (2004) diz que:
Pode se reduzir basicamente em ajudar o educando a prender em todos os aspectos, isto é, na aquisição e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, hábitos, atitudes, valores, idéias ou qualquer tipo de aprendizagem ainda não desenvolvida e julgada importante e necessária para o educando tanto pessoal como socialmente.
Estes desafios são alcançados quando o relacionamento professor-aluno é significativo para o educando, logo, a eficácia do processo educativo centra-se no professor, nos seus conhecimentos, suas habilidades, atitudes e motivação. Muitos fatores são essenciais para a motivação dos professores, alunos, supervisores e comunidade geral, tais como: trabalhar em um ambiente agradável, obter boas relações interpessoais, receber elogios.
Mas o fator fundamental e impulsionador de todos os outros é “Fazer o que gosta e com amor”. Esta é a chave da motivação que está intrínseca no ser humano, como a capacidade de andar. O que ocorre é que essa capacidade, às vezes, fica adormecida e, por isso, não cumpre seu papel.
No meio educacional existem muitos educadores adormecidos (sem motivação). As causas são inúmeras, tais como: salário baixo, má comunicação, falta de afetividade, ambiente educacional que não agrada ou não gosta do que faz. Um professor que é bem acolhido no grupo e local de trabalho, que está com todas as questões acima citadas resolvidas, consegue relaciona-se bem com a comunidade escolar e tem motivação para efetuar sua atividade docente de forma eficaz.
No ambiente educacional, faz-se necessário que o gestor ou coordenador descubra, invente, crie maneiras de valorizar diferenças existentes, pois, é preciso valores fortes que levem a aceitar, respeitar e tornar significativo o trabalho de todos na instituição. É necessário construir relações interpessoais dentro da instituição, as pessoas do ambiente educacional devem se conhecer, se falar, se olhar. Isto é a verdadeira integração entre professores, alunos, gestão e coordenação.
Uma atitude que contribui para ocorrer afetividade é o elogio, tônico que revigora o ego, reabilita o profissional e o torna capaz de superar as dificuldades do cotidiano pessoal. O elogio tem o poder de aproximar pessoas e, sobretudo, de estabelecer um clima positivo de confiança entre aluno/professor, professor/gestor ou coordenador. Outro aspecto importante é a comunicação, sem ela ficamos isolados, vazios e sem motivação.
A comunicação é absolutamente essencial para uma ação pedagógica eficaz. Os gestores devem ser capazes de compartilhar conhecimento e idéias claras aos seus profissionais, para transmitir uma sensação de urgência e entusiasmos a passar uma mensagem com clareza, fica difícil a relação professor/supervisor, porque o sucesso no trabalho e nos relacionamentos pessoais depende muito da comunicação.
Nas instituições de ensino, certas tarefas são realizadas por outras pessoas, portanto o gestor, coordenador ou pessoas que estão na liderança devem ter habilidade de inspirar e motivar, guiar e orientar, e também ouvir, porque somente por meio da comunicação é que a liderança pode motivar outros a assimilarem sua visão e colocá-la em prática.
A comunicação entre todos os elementos que compõe a vida da comunidade educacional possibilita o crescimento da consciência de que cada membro do quadro profissional é responsável pelo clima positivo de bem-querer e de confiança estabelecido entre os educadores na instituição. O fato de bem comunicar atribui a todos um sentimento de importância, participação, de comprometimento, tornando-se uma arte de construir relacionamentos.
A comunicação é uma das formas que caracterizam a ação democrática da coordenação pedagógica. Essa ação dá ao grupo a oportunidade de crescimento, de criatividade, de liberdade de expressão. O grupo de educadores que pauta seu trabalho num relacionamento mais afetivo, dialógico tende a traçar metas, objetivos comuns que possibilitam ampliar uma ação eficaz na instituição educacional. “Você não pode estimular as pessoas à ação a menos que primeiro as estimule com a emoção. O coração em primeiro lugar, depois a cabeça”. (CURY, 2004).
Uma instituição educacional, para ser motivada precisa ter um vínculo especial com toda equipe de colaboradores, traçando assim relacionamentos entre os educadores, pais, alunos e comunidade. Os professores serão altamente motivados e produtivos, trabalharão com os alunos de forma competente e eficaz.
O educador é um estilista de almas, um embelezador de vidas. O escritor e educador. Cury (2003, p. 57-81) escreveu em seu livro: Pais Brilhantes Professores fascinantes, sete hábitos que fazem do professor um ser fascinante. Dentre os sete, hábitos, destaca-se: “Bons professores educam a inteligência lógica, professores fascinantes educam a emoção”.
Educar a emoção é pensar antes de agir, não tem medo, ser líder de si mesmo, autor de sua história, saber filtrar os estímulos estressantes e trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida.
Assim uma instituição educacional, ideal necessita de educadores que eduquem com emoção, motivação e afetividade. Professores competentes e eficazes possuem mais sensibilidades do que metodologia, mais emoção do que lógica, mas exemplos do que argumentos. É por essa razão que é preciso resgatar a motivação e a afetividade no meio educacional, porque só assim se constroem professores e alunos fascinantes e inesquecíveis.
Esse clima de afetividade trará resultados extraordinários na melhoria da qualidade do ensino, professores mais satisfeitos dentro da sua profissão, alunos mais comprometidos com o processo de ensino e aprendizagem. Todos serão motivados pelo afeto.
A MOTIVAÇÃO DO PROFESSOR E SUA AUTO-REALIZAÇÃO
Atualmente estamos na Sociedade do Conhecimento. A terceira mudança, que foi provocada pela revolução da informação, tornou a sociedade mais democrática e participativa. As relações entre pais e filhos, empregados e empregadores tendem a ser de colaboração e parceria. A Sociedade do Conhecimento tem como símbolo o computador. A educação torna-se heterogênea e diversificada, pois o mercado de trabalho exige profissionais altamente qualificados com um nível educacional cada vez mais alto. Como diz Ramos (2002, p.4) “A atividade cerebral é a grande empregadora”.
Sabendo que o homem é um ser auto-realizador por natureza e, por conseguinte, em aprendizagem e crescimento contínuos, o professor deve motivar-se a si mesmo para se conectar com esse crescimento permanente e facilitar sua aceitação em classe por parte de seus alunos. A empatia e a aceitação mútua devem formar a base de uma relação aberta, tolerante e compreensiva entre professor e alunos.
Os sentimentos e emoções são próprios de cada pessoa, e correspondem ao grau de desenvolvimento individual e ao meio em que cada um foi criado e ao ambiente em que vive. Parte do trabalho para a consecução de relações efetivas em sala de aula consiste em aceitar essa realidade sem juízos limitantes, frustrações, irritação, medos, ressentimentos, culpa, etc. A relação professor/aluno deve, e pode ser uma relação de colaboração e apoio mútuo para o desenvolvimento de cada um. Precisa basear-se no respeito, dignidade, integridade, capacidade, abertura, amor, compaixão.
A baixa auto-estima do professor interfere no comportamento dos alunos. O professor com segurança, auto-conceito, integração, motivação e competência, não tem, em geral, problemas de disciplina. Voli (1998, p.147) afirma que:
A projeção que o professor envia de si mesmo à classe é recebida por seus alunos, que por sua vez vão se sentindo seguros, reforçados em seu próprio auto-conceito, partes integrantes do grupo, motivados a aprender e conscientes de sua capacidade de fazê-lo. Sua projeção motiva seus alunos a entrar por si mesmos em uma situação de auto-estima e, portanto, de autodisciplina, auto-responsabilidade e auto-realização.
Logo entendemos que a motivação deve ser estimulada para que o potencial de cada indivíduo possa fluir, considerando tanto a facilidade quanto á dificuldade para aprender. A motivação é o processo que mobiliza o organismo para a ação a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, à necessidade e o objetivo de satisfação. Portanto, para Voli (1998, p. 18), “a motivação relaciona-se intimamente com a personalidade do ser humano e com seu desenvolvimento mental, emocional, profissional e social”.
Sabe-se que o homem sente-se bem quando está em equilíbrio consigo mesmo e com o meio no qual está inserido. O equilíbrio traz satisfação; o desequilíbrio, tensão, pois em determinados aspectos a vida, o equilíbrio pode ser rompido gerando o desequilíbrio, principalmente o emocional.
Na realidade educacional, a motivação é vista como algo muito importante para que o profissional da área desenvolva seu trabalho de forma satisfatória, no entanto são poucas as vezes que um profissional recebe algum tipo de incentivo e motivação. Devido a tantas dificuldades, observam-se profissionais exaustos e sem estimulo para continuar seu trabalho de forma satisfatória.
Sabendo-se que a motivação é um problema complexo, dinâmico, mutável e fluido. Seus fatores humanos exibem forças diversas, tanto em pessoas e situações em épocas distintas.
O que é bom hoje poderá ser contraproducente amanhã, dependendo da personalidade do individuo e da situação. A motivação constitui o fator principal e decisivo no êxito da ação de todos e qualquer individuo ou empreendimento coletivo. Por isso, não se compreende um supervisor insensível ao problema da motivação.
A falta de assistência ao professor quanto ao seu desempenho em sala de aula é considerado uma das importantes causas do embaraço do processo educativo. Portanto, parece imprescindível ao professor uma assistência sistemática, no sentido de melhoria no desempenho de suas atribuições. Observou-se durante o estudo do campo que a atuação de coordenadores não funcionava de forma compartilhada com os professores, ou seja, não havia manifestações de incentivos e contribuição para melhoria do processo ensino aprendizagem, deixavam-se transparecer bastante desmotivados para tal pratica.
CONCLUSÃO
Este artigo procurou mostrar como o relacionamento é importante para desenvolver uma educação eficaz. As observações e alguns princípios norteadores foram de fundamental importância para a construção deste artigo, como o reconhecimento de que precisamos estar motivados depende dos desafios que temos para enfrentar.
Quanto maior for o desafio, mais motivados ficamos, por isso é preciso fazer o que gostamos. Esta é a chave da motivação. Precisamos de um relacionamento autentico cada um se interessando pelo outro de maneira genuína. Os direitos individuais terão que ser defendidos e respeitados, não podendo ser barganhados. A tarefa num relacionamento e proteger os direitos das pessoas nele envolvidos.
No ambiente educacional, faz-se necessário que tanto gestores, coordenadores e professores, de modo geral descubram, inventem criem maneiras de valorizar construtivamente as diferenças existentes.
É inegável que a motivação é essencial para toda e qualquer atividade humana. Em particular, do ponto de vista do educador, não é possível afirmar que um determinado sujeito esteja motivado para aprender algo, sem que o primeiro tenha sido capaz de identificar, no segundo, um certo grau de consciência do valor do aprendizado e do crescimento intelectual
Entendemos não ser possível ao educador satisfazer todas as necessidades de seus alunos, mas, no momento em que se dispõe a ser um dinamizador do processo ensino-aprendizagem, faz-se necessário que lance mão desse importante fator que é a motivação, a fim de lograr êxito e satisfação, tanto para si quanto para os estudantes.
Estando o professor motivado a desenvolver em seus alunos a capacidade de aprender, certamente os motivará na busca de novos conhecimentos, e estará criando condições mais favoráveis à aprendizagem. A motivação de ambos, alunos e mestres, está tão imbricada que é impossível tratar de uma sem abordar a outra. Podemos ir um pouco além e afirmar que a realização da aprendizagem, muito mais do que uma mera recompensa, é essencial na construção de um processo continuado de motivação-aprendizado, no qual o aluno se motiva cada vez mais a aprender mais.
É urgente que as relações entre os membros que compõem os ambientes educacionais estejam permeadas pelo afeto, assim com certeza construiremos um novo modo de nos relacionarmos. Hoje, saber relacionar-se é uma arte.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, Celso. A criatividade na sala de aula, fascículo 14. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
CHALITA, Gabriel Benedito Isaac. Educação: a solução está no afeto, São Paulo: Gente, 2001.
CURY, Augusto Jorge. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, 4 ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 1990.
LIBÂNEO, José. Organização e Gestão da escola: teoria e prática. 5 ed. Revista e ampliada. Goiânia: Alternativa, 2004.
LUCK, Heloisa. Ação Integrada. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1981.
RAMOS, Cosete (2002). O despertar do gênio: aprendendo com o cérebro inteiro. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora,.
SERRANO, D. P. A teoria de Abraham Maslow: hierarquia das necessidades. 2003.
VOLI, Franco (1998). A auto-estima do professor: manual de reflexão e ação educativa. Trad. Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva. São Paulo: Edições Loyola.
Leis, projetos e códigos da Psicopedagogia e outros
Fique por dentro da regulamentação da Psicopedagogia
» Projeto de Lei 3512/08 A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, no último dia 17, o Projeto de Lei 3512/08, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), que regulamenta a atividade profissional do psicopedagogo. Pela proposta, a profissão poderá ser exercida pelo portador de diploma de graduação em Psicopedagogia, pelo diplomado em Psicologia ou Pedagogia e pelo licenciado que tiver concluído curso de especialização em Psicopedagogia. A especialização deverá ter duração mínima de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade. Leia mais...
» Projeto de lei nº 3124/97 do Deputado Barbosa Neto (dispõe sobre a regulamentação da profissão de psicopedagogo - em tramitação no Congresso Nacional)
» Lei nº 10.891 de 20 de setembro de 2001 (autoriza o Poder Executivo a implantar assistência psicológica e psicopedagógica em todos os estabelecimentos de ensino básico público - criada a partir do projeto de lei nº 128/2000 do Dr. Claury Alves da Silva - PTB)
» Projeto de Lei n° 128/2000 do Dr. Claury Alves da Silva - PTB (estabelece a implantação de assistência psicológica e psicopedagógica em todos os estabelecimentos públicos de ensino do Estado de São Paulo)
» Resolução nº 1, de 3 de abril de 2001 (Estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação entre eles o de psicopedagogia)
» Legislação de apoio para atendimento de crianças com dificuldades de aprendizagem
http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/leis_e_codigos.htm
» Projeto de Lei 3512/08 A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, no último dia 17, o Projeto de Lei 3512/08, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), que regulamenta a atividade profissional do psicopedagogo. Pela proposta, a profissão poderá ser exercida pelo portador de diploma de graduação em Psicopedagogia, pelo diplomado em Psicologia ou Pedagogia e pelo licenciado que tiver concluído curso de especialização em Psicopedagogia. A especialização deverá ter duração mínima de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade. Leia mais...
» Projeto de lei nº 3124/97 do Deputado Barbosa Neto (dispõe sobre a regulamentação da profissão de psicopedagogo - em tramitação no Congresso Nacional)
» Lei nº 10.891 de 20 de setembro de 2001 (autoriza o Poder Executivo a implantar assistência psicológica e psicopedagógica em todos os estabelecimentos de ensino básico público - criada a partir do projeto de lei nº 128/2000 do Dr. Claury Alves da Silva - PTB)
» Projeto de Lei n° 128/2000 do Dr. Claury Alves da Silva - PTB (estabelece a implantação de assistência psicológica e psicopedagógica em todos os estabelecimentos públicos de ensino do Estado de São Paulo)
» Resolução nº 1, de 3 de abril de 2001 (Estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação entre eles o de psicopedagogia)
» Legislação de apoio para atendimento de crianças com dificuldades de aprendizagem
http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/leis_e_codigos.htm
SOBRE A PSICOPEDAGOGIA
Simaia Sampaio
1. O que é a psicopedagogia?
A Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portanto, um caráter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade, esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compreender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a psicopedagogia deve identificar, analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.
2. Quem são os psicopedagogos?
São profissionais preparados para atender crianças ou adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção, diagnóstico e tratamento clínico ou institucional.
3. Onde atuam?
O psicopedagogo poderá atuar em escolas e empresas (psicopedagogia institucional), na clínica (psicopedagogia clínica).
4. Como se dá o trabalho na clínica?
O psicopedagogo, através do diagnóstico clínico, irá identificar as causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará instrumentos tais como, provas operatórias (Piaget), provas projetivas (desenhos), EOCA, anamnese.
Na clínica, o psicopedagogo fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para conversar sobre horários, quantidades de sessões, honorários, a importância da freqüência e da presença e o que ocorrer, ou seja, fará o enquadramento. Neste momento não é recomendável falar sobre o histórico do sujeito, já que isto poderá contaminar o diagnóstico interferindo no olhar do psicopedagogo sobre o sujeito. O histórico do sujeito, desde seu nascimento, será relatado ao final das sessões numa entrevista chamada anamnese, com os pais ou responsáveis.
5. O diagnostico é composto de quantas sessões?
Entre 8 a 10 sessões, sendo duas sessões por semana, com duração de 50 minutos cada.
6. E depois do diagnóstico?
O diagnóstico poderá confirmar ou não as suspeitas do psicopedagogo. O profissional poderá identificar problemas de aprendizagem. Neste caso ele indicará um tratamento psicopedagógico, mas poderá também identificar outros problemas e aí ele poderá indicar um psicólogo, um fonoaudiólogo, um neurologista, ou outro profissional a depender do caso.
7. E o tratamento psicopedagógico?
O tratamento poderá ser feito com o próprio psicopedagogo que fez o diagnóstico, ou poderá ser feito com outro psicopedagogo.
Durante o tratamento são realizadas diversas atividades, com o objetivo de identificar a melhor forma de se aprender e o que poderá estar causando este bloqueio. Para isto, o psicopedagogo utilizará recursos como jogos, desenhos, brinquedos, brincadeiras, conto de histórias, computador e outras situações que forem oportunas. A criança, muitas vezes, não consegue falar sobre seus problemas e é através de desenhos, jogos, brinquedos que ela poderá revelar a causa de sua dificuldade. É através dos jogos que a criança adquire maturidade, aprende a ter limites, aprende a ganhar e perder desenvolve o raciocínio, aprende a se concentrar, adquire maior atenção.
O psicopedagogo solicitará, algumas vezes, as tarefas escolares, observando cadernos, olhando a organização e os possíveis erros, ajudando-o a compreender estes erros.
Irá ajudar a criança ou adolescente, a encontrar a melhor forma de estudar para que ocorra a aprendizagem, organizando, assim, o seu modelo de aprendizagem.
O profissional poderá ir até a escola para conversar com o(a) professor(a), afinal é ela que tem um contato diário com o aluno e poderá dar muitas informações que possam ajudar no tratamento.
O psicopedagogo precisa estudar muito. E muitas vezes será necessário recorrer a outro profissional para conversar, trocar idéias, pedir opiniões, ou seja, fazer uma supervisão psicopedagógica.
8. Como se dá o trabalho na Instituição?
O psicopedagogo na instituição escolar poderá:
- ajudar os professores, auxiliando-os na melhor forma de elaborar um plano de aula para que os alunos possam entender melhor as aulas;
- ajudar na elaboração do projeto pedagógico;
- orientar os professores na melhor forma de ajudar, em sala de aula, aquele aluno com dificuldades de aprendizagem;
- realizar um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo ensino-aprendizagem;
- encaminhar o aluno para um profissional (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo etc) a partir de avaliações psicopedagógicos;
- conversar com os pais para fornecer orientações;
- auxiliar a direção da escola para que os profissionais da instituição possam ter um bom relacionamento entre si;
- Conversar com a criança ou adolescente quando este precisar de orientação.
9. O que é fundamental na atuação psicopedagógica?
A escuta é fundamental para que se possa conhecer como e o que o sujeito aprende, e como diz Nádia Bossa, “perceber o interjogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar”.
O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, tais como: resistências, bloqueios, sentimentos, lapsos etc.
E não parar de buscar, de conhecer, de estudar, para compreender de forma mais completa estas crianças ou adolescentes já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais e professores.
1. O que é a psicopedagogia?
A Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portanto, um caráter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade, esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compreender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a psicopedagogia deve identificar, analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.
2. Quem são os psicopedagogos?
São profissionais preparados para atender crianças ou adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção, diagnóstico e tratamento clínico ou institucional.
3. Onde atuam?
O psicopedagogo poderá atuar em escolas e empresas (psicopedagogia institucional), na clínica (psicopedagogia clínica).
4. Como se dá o trabalho na clínica?
O psicopedagogo, através do diagnóstico clínico, irá identificar as causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará instrumentos tais como, provas operatórias (Piaget), provas projetivas (desenhos), EOCA, anamnese.
Na clínica, o psicopedagogo fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para conversar sobre horários, quantidades de sessões, honorários, a importância da freqüência e da presença e o que ocorrer, ou seja, fará o enquadramento. Neste momento não é recomendável falar sobre o histórico do sujeito, já que isto poderá contaminar o diagnóstico interferindo no olhar do psicopedagogo sobre o sujeito. O histórico do sujeito, desde seu nascimento, será relatado ao final das sessões numa entrevista chamada anamnese, com os pais ou responsáveis.
5. O diagnostico é composto de quantas sessões?
Entre 8 a 10 sessões, sendo duas sessões por semana, com duração de 50 minutos cada.
6. E depois do diagnóstico?
O diagnóstico poderá confirmar ou não as suspeitas do psicopedagogo. O profissional poderá identificar problemas de aprendizagem. Neste caso ele indicará um tratamento psicopedagógico, mas poderá também identificar outros problemas e aí ele poderá indicar um psicólogo, um fonoaudiólogo, um neurologista, ou outro profissional a depender do caso.
7. E o tratamento psicopedagógico?
O tratamento poderá ser feito com o próprio psicopedagogo que fez o diagnóstico, ou poderá ser feito com outro psicopedagogo.
Durante o tratamento são realizadas diversas atividades, com o objetivo de identificar a melhor forma de se aprender e o que poderá estar causando este bloqueio. Para isto, o psicopedagogo utilizará recursos como jogos, desenhos, brinquedos, brincadeiras, conto de histórias, computador e outras situações que forem oportunas. A criança, muitas vezes, não consegue falar sobre seus problemas e é através de desenhos, jogos, brinquedos que ela poderá revelar a causa de sua dificuldade. É através dos jogos que a criança adquire maturidade, aprende a ter limites, aprende a ganhar e perder desenvolve o raciocínio, aprende a se concentrar, adquire maior atenção.
O psicopedagogo solicitará, algumas vezes, as tarefas escolares, observando cadernos, olhando a organização e os possíveis erros, ajudando-o a compreender estes erros.
Irá ajudar a criança ou adolescente, a encontrar a melhor forma de estudar para que ocorra a aprendizagem, organizando, assim, o seu modelo de aprendizagem.
O profissional poderá ir até a escola para conversar com o(a) professor(a), afinal é ela que tem um contato diário com o aluno e poderá dar muitas informações que possam ajudar no tratamento.
O psicopedagogo precisa estudar muito. E muitas vezes será necessário recorrer a outro profissional para conversar, trocar idéias, pedir opiniões, ou seja, fazer uma supervisão psicopedagógica.
8. Como se dá o trabalho na Instituição?
O psicopedagogo na instituição escolar poderá:
- ajudar os professores, auxiliando-os na melhor forma de elaborar um plano de aula para que os alunos possam entender melhor as aulas;
- ajudar na elaboração do projeto pedagógico;
- orientar os professores na melhor forma de ajudar, em sala de aula, aquele aluno com dificuldades de aprendizagem;
- realizar um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo ensino-aprendizagem;
- encaminhar o aluno para um profissional (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo etc) a partir de avaliações psicopedagógicos;
- conversar com os pais para fornecer orientações;
- auxiliar a direção da escola para que os profissionais da instituição possam ter um bom relacionamento entre si;
- Conversar com a criança ou adolescente quando este precisar de orientação.
9. O que é fundamental na atuação psicopedagógica?
A escuta é fundamental para que se possa conhecer como e o que o sujeito aprende, e como diz Nádia Bossa, “perceber o interjogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar”.
O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, tais como: resistências, bloqueios, sentimentos, lapsos etc.
E não parar de buscar, de conhecer, de estudar, para compreender de forma mais completa estas crianças ou adolescentes já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais e professores.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
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